quarta-feira, 19 de outubro de 2016

A prisão de Cunha é uma tautologia

A prisão de Eduardo Cunha faz parte do roteiro do golpe. Aliás, roteiro bastante trivial. O próximo passo será varrer o PMDB do mapa. E tirar Lula da disputa eleitoral de 2018. O golpe sempre foi tucano. Sérgio Moro está sendo pressionado por uma parte significativa da sociedade civil. Há graves indícios de parcialidade e seletividade em suas decisões. A acusação de que Moro é "absolutamente parcial e está a serviço das classes dominantes", levantada por Rogério Cerqueira Leite, torna-se cada vez mais indefensável. A prisão de Cunha funciona como um álibi. E um salvo-conduto para a prisão de Lula. Tudo muito previsível. Surpreendente teria sido se o STF determinasse a prisão de Aécio Neves, José Serra ou a de qualquer outro cacique do PSDB. Mas nosso Judiciário, em todas as instâncias, é covarde quando se trata dos interesses das grandes corporações e dos partidos a elas associados. Seria algo extremamente improvável. Factível talvez em outros mundo possíveis. Não neste. Acontece que Cunha é cachorro morto. Serviu bem ao golpe. Deu viabilidade processual ao impeachment. Mas é chegada a hora dos descartes. Dos expurgos. Custou a ser cassado por conveniência política. Agora é preso também por conveniência política. Se os critérios rígidos de prisão preventiva inaugurados por Moro fossem seguidos à risca, e com isonomia, Cunha já estaria atrás das grades desde sua cassação. Sua prisão é um pleonasmo. Uma obviedade. Uma tautologia. Na lógica do encarceramento sumário de Moro, é prender ou prender.