segunda-feira, 10 de outubro de 2016

A aleatoriedade da razão ou o triunfo da irracionalidade

Carlos Villalba Racines (EFE)
O país jaz em silêncio enquanto se vota ruidosamente a PEC 241, que transformará a Constituição Federal em instrumento de degradação social. Incrível como podemos fazer uma revolução por causa de um cisco no olho e nos omitir diante das mais graves calamidades. Em junho de 2013, os rebeldes sem causa entraram para a história das manifestações. Em 2016, a despeito de todas as causas, nenhum rebelde é capaz de se rebelar. O mundo parece não passar de um irrelevante jogo de representações, sem um mínimo de racionalidade. Ou, se David Hume estava certo ao escrever que "não é contrário à razão eu preferir a destruição do mundo a um arranhão em meu dedo", então a razão só encontraria obstáculos diante de impossibilidades lógicas. Assim, na visão de Hume, exceto no caso de se conceber algo como um círculo quadrado, uma evidente contradição lógica, a razão poderia tudo. Até mesmo aceitar a pior das violências pelos motivos mais fúteis. Trata-se, portanto, da constatação da aleatoriedade da razão diante das deliberações mais relevantes. No limite, em qualquer das duas hipóteses aqui levantadas (a da total ausência de racionalidade, ou de sua irrelevância, diante dos fatos mais impactantes da vida), o fato é que vivemos diante do triunfo da irracionalidade. Adeus razão.