quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Os procuradores da Lava-jato faltaram à aula de lógica

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Sobre a fala de um dos procuradores da Lava-jato: "Precisamos dizer desde já que, em se tratando da lavagem de dinheiro, ou seja, em se tratando de uma tentativa de manter as aparências de licitude, não teremos aqui provas cabais de que Lula é o efetivo proprietário no papel do apartamento, pois justamente o fato de ele não figurar como proprietário do tríplex, da cobertura em Guarujá é uma forma de ocultação, dissimulação da verdadeira propriedade". Ora, o que caracteriza lavagem de dinheiro é a prova de que houve a ocultação da propriedade, e não a simples afirmação de que ela ocorreu porque pura e simplesmente é assim que se faz quando se lava dinheiro (ou seja, oculta-se patrimônio e ponto final). O argumento do procurador é circular. Vicioso. Tendencioso. Falacioso. Não se sustenta por um segundo sequer. Qualquer estudante de lógica elementar saberia identificar a fragilidade argumentativa dos nossos patéticos procuradores. Trata-se de um sofisma clássico: justificar o argumento assumindo como verdadeiro justamente aquilo que se pretende provar. Mais pueril impossível.