quinta-feira, 1 de setembro de 2016

O golpismo como lei universal no Brasil

De acordo com Immanuel Kant, devemos sempre agir de tal modo que a nossa máxima se torne uma lei universal. Assim, não deveríamos enganar o próximo porque caso a enganação se tornasse uma lei universal a vida em sociedade seria insustentável. Ninguém mais poderia confiar em ninguém. As relações se tornariam impossíveis. Se enquadrarmos a ação dos golpistas de acordo com o imperativo categórico de Kant, já que os procedimentos e os ritos foram todos considerados legais e em conformidade com a CF, e justificados por estarem de acordo com os mais elevados preceitos morais pelos seus executores e apoiadores, então o golpismo deverá se tornar uma lei universal no Brasil. Uma regra geral. Extensivo a todos os poderes da República. A todas as unidades da federação. A toda nação. E a todos seus respectivos cidadãos. Portanto, se levarmos a sério o critério moral de Kant, a cultura do golpe e a usurpação de poderes legitimamente constituídos deverão ser a regra daqui por diante. Ora, se o Congresso Nacional e o STF não respeitaram o Estado democrático de direito, mas alegaram que estavam agindo conforme a lei e a moral, e portanto de forma universal, então todo e qualquer tipo de contrato social está definitivamente rompido no país. Inclusive nosso contrato maior: o contrato da democracia. A partir de agora, não há mais nada a ser respeitado aqui nos tristes trópicos. Enquanto não for restabelecida a ordem democrática, vale tudo. Desde 31 de agosto, dia do golpe de Estado parlamentar, o golpismo se tornou uma lei universal no Brasil.