quinta-feira, 22 de setembro de 2016

O baile de máscaras do golpe

O golpe já foi desmascarado faz tempo. Todos sabemos. O mundo inteiro sabe. O Brasil se tornou um Estado de exceção, onde vivemos em estado de choque permanente. Físico e moral. E no Estado de exceção, a injustiça é a regra. O fundamentalismo jurídico é a norma. E a forma. Juízes e procuradores dispensam provas e agem motivados pela "fé". Em seus próprios interesses. E pela convicção "religiosa". Em seus próprios poderes. Diante de tanta arbitrariedade, as máscaras já não mascaram. Mas os golpistas, impassíveis, continuam vestindo confortavelmente a máscara da hipocrisia. E da astúcia. Enquanto a farsa segue seu curso, os privilegiados vestem a máscara surreal da comédia. Os excluídos, por sua vez, a máscara real da tragédia. E uma parte significativa da sociedade civil, que nada tem a ganhar com o golpe, segue de olhos vendados. Diante da forte luz da verdade, prefere a confortável sombra da ignorância. Ou da má-fé. Aplaude a cada arbitrariedade. Comemora a cada possibilidade de perda de direitos, como se fossem apenas espectadores de vidas alheias, sem se dar conta de que é seu próprio destino que está em jogo. Em ritual autofágico, esses pseudo privilegiados assistem, como autômatos, a própria imolação. Anestesiados pela grande imprensa, só se darão conta do prejuízo irreversível quando a banda do bando dos bandidos do golpe passar. Fato que acontecerá em breve, assim que os escusos escambos dos golpistas transformarem o país, uma vez mais, numa grande montanha de assombrosos escombros.