segunda-feira, 19 de setembro de 2016

A barbárie naturalizada

Lampião e seus cangaceiros degolados (1938)
A apologia ao linchamento e à tortura até pouco tempo estava somente implícita nos discursos. Dizia-se, com frequência, que prisão era pouco para fulano ou beltrano. Sempre em referência aos excluídos de sempre, culpados ou não, e a seus defensores, tidos como protetores de bandidos e inimigos dos cidadãos de bem. Essa turma desvairada dos direitos humanos, uma aberração humanista que destrói a ordem e o progresso daqueles que são, de acordo com a narrativa dos "homens do bem", os únicos seres com direitos a serem humanos. A lógica dos privilegiados de sempre. Desta narrativa, a do "prender é pouco", seguia-se que, se a prisão era insuficiente, restava infligir dor física de forma violenta e, no limite, tirar a vida da pessoa. Mas ultimamente, o implícito se tornou explícito. Afirma-se com tranquilidade que fulano ou beltrano deve ser morto. Assassinado. E com todas as letras. Declarações recentes nas redes sociais clamando pela morte de Lula e de Camila Pitanga, o primeiro simplesmente por ser Lula, a segunda por ser supostamente petista são exemplos que falam por si. Mas a capa da última Veja com a imagem da cabeça de Lula, ensanguentado e morto, parece dar um passo além. Não basta matar. O assassinato já é pouco. A morte deve ser violenta. Cruel. Estúpida. No Brasil, a decapitação, a degola e o esquartejamento estão na ordem do dia. O melhor lugar da barbárie naturalizada é aqui. E agora.