segunda-feira, 27 de junho de 2016

A naturalidade do golpe

Paul Cézanne - Natureza morta com leite e frutas
À medida que o tempo passa, o golpe se naturaliza. O vento venta, a chuva chove e o golpe... golpeia. O cotidiano se ajeita. A rotina prevalece. O esquecimento se estabelece. Nem parece que o país está submetido a um golpe de Estado há 48 dias. Vivemos como se fôssemos parte de uma quadro de natureza morta. Peças estáticas, cuidadosamente arranjadas para que se mantenham naturalmente imóveis. Da última vez ficamos quase todos paralisados por 21 anos. E os efeitos da paralisação ainda perduram, 52 anos depois. Por quanto tempo mais viveremos passivamente sob esse novo golpe velho? Uma das maiores tragédias do ser humano é a sua capacidade de se adaptar à opressão.