sexta-feira, 3 de junho de 2016

A grande imprensa e a revolução copernicana do conhecimento

Nicolau Copérnico (Jan Matejkos)
Conhecimento, na definição clássica, significa crença verdadeira justificada. Contra-exemplos de Gettier à parte, para que algo seja considerado conhecimento deve satisfazer as três condições simultaneamente. É preciso acreditar em algo que seja verdadeiro, e ter boas razões para crê-lo. Se acreditasse que ganharia na Mega Sena, apostasse e, de fato, ganhasse, não poderia afirmar que possuía conhecimento acerca do resultado. Neste exemplo, trata-se apenas de uma crença injustificada que se mostrou verdadeira por conta do acaso. Da sorte. No jornalismo brasileiro, salvo raras exceções que confirmam a regra, os novos sofistas da grande mídia, utilizando o termo 'sofista' em seu sentido pejorativo, subverteram o significado de conhecimento. Para além de Kant, promoveram um outro tipo de revolução copernicana na Teoria do Conhecimento. O que alegam saber, e vendem como se conhecimento fosse, são falsidades injustificadas inacreditáveis. Não acreditam no que falam, tão óbvias as falsidades que relatam. Tampouco justificam aquilo que publicam ou falam, pois não há justificativas factuais para suas teses. Mas seria injusto afirmar que não possuem nenhum conhecimento. Como bons hipócritas, sabem que divulgam falsidades. Por saberem que são falsidades, também não acreditam nelas. E, finalmente, sabem que não possuem justificativas ou boas razões que sustentem suas versões manipuladas dos fatos. De fato, uma "verdadeira" revolução epistemológica.