quinta-feira, 26 de maio de 2016

Temer, Bush & Deus

Federico Fellini (1955)
Será Michel Temer o novo George W. Bush?
Vejamos. Bush, quando assumiu a presidência, afirmou: "Eu acredito que Deus quis que eu fosse presidente". Depois, quando invadiu o Iraque, justificou: "Deus me disse para invadir o Iraque".
Temer, por sua vez, não deixou barato. Invocou Deus e fez do golpe uma missão quase religiosa: "Se eu ficar presidente durante um período, eu quero cumprir uma missão. Se me permitem, acho que Deus colocou na minha frente, para que eu cumpra essa missão, ou agora num breve período, ou em dois anos e meio, para que eu ajude a tirar o país da crise".

A julgar pelas atrocidades dos primeiros dias de mandato, podemos esperar que a tecnocracia-teocrática de exceção de Temer tenha semelhanças com a de Bush. Ambos elegeram o deus-mercado como solução. Cercaram-se de homens fortes do mercado financeiro. Demonizaram as políticas sociais. Apostaram na truculência.
E, em certa medida, uniram dominantes e dominados em torno de um amplo ideal: tornar os ricos mais ricos, os pobres mais pobres e os corruptos blindados mais blindados. Tudo às custas do povo. Em defesa da democracia. E em nome de Deus. Pobre Deus. Pobre democracia. Pobre de nós. Cruz-credo. Como sempre diz meu querido amigo Sérgio Mattos: oremos!