quinta-feira, 5 de maio de 2016

Queda de Cunha: a hora da virada democrática

Foto Isabela Kassow
Eduardo Cunha acaba de ser afastado por decisão unânime do STF. O pedido de afastamento havia sido feito em dezembro. Houve, portanto, um problema de "timing". Cunha deveria ter sido afastado antes da votação do impeachment. Tempo suficiente não faltou. Nossos ilustres ministros do STF ficaram discutindo a metafísica do tempo, de Santo Agostinho a Bergson, e perderam uma oportunidade histórica de deixar os golpistas órfãos de seu poderoso chefão. Teria sido um tiro certeiro no golpe. Agora talvez seja tarde demais. Mas como diz o ditado: antes tarde do que nunca. E se não fosse pela intensa manifestação anti-Cunha esse pedido de afastamento talvez permanecesse engavetado por tempo indeterminado. A única maneira de sacudir a poeira do golpe é aumentar a pressão popular. Já vimos que não podemos contar com o espírito democrático de nossos magistrados e congressistas. No Brasil de hoje é preciso lutar pela democracia diariamente. Cotidianamente. Ceticismos à parte, depois de longas jornadas noite adentro, a decisão de Teori pode trazer ventos favoráveis. Precisamos estar preparados para a luta dos próximos dias. Como disse Hamlet: "Há uma providência especial até na queda de um pardal. Se tiver que ser agora, não está para vir; se não estiver para vir, será agora; e se não for agora, mesmo assim virá. Estar pronto é tudo". Que a queda de Cunha seja uma providência especial. Que estejamos prontos. Não percamos mais tempo em decifrar o óbvio. Se é jogada ensaiada, então vamos interceptar a bola. E partir para o contra-ataque. Se é teatro, então que o coro determine a dramaturgia. Com vigor e poesia. Se é jogo de cena, então vamos ocupar a cena. E virarmos esse jogo de uma vez por todas. É chegada a hora da virada democrática. Hora de dar um golpe no golpe. Hora de mostrar força. Hora de ocupar as ruas. Hora de ocupar as redes sociais. Hora de ocupar o Senado. Hora de ocupar tudo. A hora é agora. O tempo é já.