quarta-feira, 4 de maio de 2016

Michel Temer: o homem que transpirava conspiração

Kevin Spacey no papel de Richard III 
Michel Temer é a negação da democracia. É a expressão máxima da antidemocracia. Uma contradição viva dos princípios fundamentais de um Estado democrático de direito. Silvio Caccia Bava, editor do Le Monde Diplomatique Brasil, chamou a atenção para um fato assustadoramente simétrico: Michel Temer, se consumado o golpe, será um presidente, segundo pesquisas recentes, com apenas 1% das intenções de voto. E que governará para o 1% mais rico da pirâmide social, conforme explicitado em sua famigerada "Ponte para o futuro". Uma perversa simetria que contribuirá para acentuar as nossas assimetrias mais perversas. Acrescente-se acusações de contas em paraísos fiscais e de recebimento de propinas; processos de impeachment protocolados na Câmara; a associação criminosa com Eduardo Cunha; a conspiração vergonhosa com caciques do PSDB; a promiscuidade explícita com o grande capital, com os mercados financeiros e com a grande imprensa, que o tratam desde já como se fosse presidente; uma possível entrega do Ministério de Ciências e Tecnologia a um bispo que defende o criacionismo; e, finalmente, a recente condenação do TRE-SP, que o torna inelegível nas próximas eleições. Tudo isso, somado, resulta em um provável presidente da República cuja vilania repugnaria até mesmo Ricardo III, personagem emblemático do drama histórico mais cruel de William Shakespeare. Michel Temer, cuja ilegitimidade política faria inveja aos mais notórios tiranos da história do mundo, independentemente do que virá a seguir, será sempre lembrado como o homem que transpirava e respirava conspiração. Seu nome nos dá a chave de tudo que, se vier, virá. De fato, há muito a temer. Serão tempos de temor. De dor. Incerteza. Insegurança. Desesperança. Tristeza. E desamor. Que esse pequeno ensaio seja só mais uma crônica sobre alguma coisa cujo desfecho sombrio jamais chegou a ser.