sexta-feira, 13 de maio de 2016

As sombras da distopia tecnocrática

Eficiência é fazer mais com menos. No governo Temer, eficiência será fazer menos. Com muito menos ainda. Qualquer que seja o excedente resultante de cortes de gastos públicos sob pretexto da eficiência, esse "mais" será imediatamente transferido para os que já possuem mais. Na equação da eficiência, a parcela da população que depende das redes de proteção social do Estado deve ser eliminada. Nessa lógica, só quem gera receita é aproveitável. Os que geram custos devem ser removidos. Idosos aposentados, portadores de doenças e deficiências, moradores de rua, dependentes químicos, famílias carentes, e excluídos em geral, não são considerados eficientes pela retórica tecnocrática. A eliminação por abandono será o modo mais rápido de se alcançar a eficiência. Fazer menos pelos excluídos implicará sobrar mais para os privilegiados. Os eficientes. Os produtivos. Os vencedores. É para esses que a democracia da eficiência deve governar. Essa será a lógica da eficiência do governo Temer. Um iluminismo às avessas em que a suposta "modernização" nos conduzirá às trevas. A grande imprensa terá o papel de influenciar a opinião pública quanto à necessidade das medidas amargas para aqueles que já vivem vidas amargas. O discurso retórico será de que um governo pró-negócios beneficiará a sociedade com um todo. Balela. As pesquisas econométricas mais recentes demonstram, em farta literatura, que incentivos clássicos à atividade produtiva, como cortes de impostos, redução das políticas sociais e flexibilização de encargos e direitos trabalhistas, têm apenas um efeito prático: o aumento da precarização das classes mais desfavorecidas, concomitantemente com o aumento da concentração da renda e da riqueza. Uma democracia da eficiência será, ao fim e ao cabo, uma ponte para a distopia da técnica. A supremacia da violência tecnocrática. A vitória dos meios sobre os fins. E o começo do fim do pouco que ainda nos resta de humanidade.