quinta-feira, 12 de maio de 2016

As falsas representações da vida cotidiana

As representações do 'eu' na vida cotidiana, de acordo com o sociólogo Erving Goffman, são parte essencial da vida em sociedade. No dia a dia, assumimos diversos papéis sociais que facilitam a convivência e o intercâmbio de informações interpessoais no âmbito das relações humanas. O problema é quando esses papéis são tão falsamente representados, que transformam a vida em sociedade em um mero palco para encenação da hipocrisia e do cinismo. Interessante ver que até ontem a grande imprensa, as entidades de classe e outros segmentos golpistas do setor privado estavam todos engajados na deposição da presidente Dilma, todos municiados pelo discurso vazio da corrupção, da eficiência de gestão e da moralidade administrativa. De uma hora para outra, gente como Míriam Leitão, Hélio Bicudo e o pessoal da OAB se manifestaram preocupados com a baixa qualidade técnica e moral do ministério anunciado por Temer. Querem desempenhar o papel de imparciais conhecedores de assuntos técnicos e de críticos responsáveis a serviço da sociedade civil. A quem querem enganar? Nem a família, nem os amigos e sequer eles próprios acreditam. É só mais um insulto à nossa inteligência coletiva. Teatrão da pior qualidade. Um exemplo clássico de má atuação que, na vida real, se converte em má-fé.