domingo, 17 de abril de 2016

Os conspiradores da República

Michel Temer assistindo à votação pelo impeachment
Vivemos em estado de golpe de Estado permanente, que se iniciou no dia seguinte à eleição de 2014. Golpe jurídico, econômico, político e midiático. Farsa. Havia todos os indícios de que o desfecho seria o pior possível. Mas demoramos demais para reagir. Deixamos a direita ocupar as ruas e tomar para si o espaço democrático mais sagrado. Tardamos muito em sair em defesa efetiva pela democracia. Contamos demais com a racionalidade e a isenção de nossas figuras públicas. Mas o que testemunhamos foi o oposto. Irracionalidade, parcialidade e hipocrisia. Ficamos discutindo internamente questões abstratas, e nos enfraquecemos com o angelismo moral de uma parte da esquerda, enquanto a concretude do golpe se aproximava a cada dia. As esquerdas se fragmentaram e muitos dos que gritaram "que se vayan todos" esqueceram-se de que, quando "todos" se vão, os Temers, Aécios e Bolsonaros sempre ficam. Agora, mais do que nunca, a luta contra o golpe deve ser levada à sério. Não há mais espaço para ficar assistindo à democracia ser destruída com a ilusão de que não haverá golpe, enquanto vampiros de todas as espécies tomam conta dos despojos do país. O golpe está aí. Aqui e agora. A "Ponte para o futuro" está pronta para sair do papel. Com o apoio incondicional da grande mídia. E os golpistas estão pautados apenas por seus interesses mais mesquinhos. Dos próprios filhos, dos netos, das contas bancárias, das sonegações, dos paraísos fiscais, das falcatruas, dos privilégios e agendas pessoais. Não há nenhum compromisso com o Brasil. Mas ainda é possível barrar o golpe e impedir que essa gente tome de assalto o país. Mas não contemos com o STF. Nem com a Procuradoria Geral da República. Muito menos com o Senado. São as instituições mesmas que estão dando sustentação "legal" ao golpe. O único meio de barrar o golpe é ocupar o Brasil. De Norte a Sul. Leste a Oeste. Não podemos nos deixar ser governados pela ilegitimidade, pela hipocrisia e pelo golpismo institucionalizado. É lutar ou lutar.