quarta-feira, 6 de abril de 2016

O ódio pelo ódio e a "performance" de Janaína Paschoal

A recente "performance" de Janaína Paschoal é um recorte potente dos representantes da nova direita e de seus respectivos discursos. Uma caricatura bem feita, extremamente didática, capaz de traduzir com uma fidedignidade impressionante o quase vazio de suas proposições, cujos conteúdos ininteligíveis e aleatórios só não se reduzem ao vazio absoluto porque são preenchidos de ódio puro. Ódio pelo ódio. Materializado na voz, na linguagem corporal, na expressão facial, na auto-glorificação messiânica, na auto-referência narcísica. O objeto do ódio é o que menos importa. Pode ser qualquer coisa. Até mesmo uma cor. Ainda que seja a cor do amor. A narrativa tampouco tem importância. O texto é só um pretexto. Quando uma agenda minimamente crítica, propositiva e programática é substituída por rituais de culto irracional a um ódio difuso e generalizado, não há debate democrático possível. Só resta negar o outro. Exterminá-lo. E odiar em celebração ao ódio. Um ódio que se expressa como fim em si mesmo. Desprovido de qualquer outro significado que não seja o próprio ódio.