sexta-feira, 1 de abril de 2016

O jornalismo manipulativo e suas técnicas perversas. Em resposta a Nelson Motta.

"Se impeachment é constitucional, não é golpe". A frase circular de Nelson Motta, em seu texto no Globo de hoje, revela mais uma vez um tipo de jornalismo manipulativo que, além de agressivo à inteligência coletiva brasileira, presta homenagem à canalhice e ao vício. Uma pessoa que é remunerada para ludibriar seu público com palavras vazias só pode ser um canalha. Um oportunista. No contexto da frase, depreende-se que o termo "golpe" é utilizado como algo contrário à Constituição. Portanto, quando se afirma que alguma coisa "não é golpe", é o mesmo que dizer que esta coisa, seja ela qual for, não é contrária à Constituição. Logo, a expressão "não é golpe" tem o mesmo sentido de "constitucional". Basta agora trocar a expressão "não é golpe", pelo seu equivalente semântico "constitucional" e temos a seguinte frase: "se impeachment é constitucional, é constitucional". De fato, irrefutável. Sua frase de efeito é uma petição de princípio. Mistura significante com significado. Faz um silogismo capenga, que parte de uma premissa maior (geral) e vai diretamente para a conclusão, sem passar pela premissa menor (específica). Ao agir assim, Nelson Motta, covardemente, foge da questão relevante, qual seja a de debater acerca da constitucionalidade, não do impeachment em geral, abstrato, mas de um processo concreto de impeachment que está em curso. Um processo cujo desfecho trará implicações gravíssimas para o país. Por décadas. Em vez disso, em lugar de enfrentar o debate, Motta prefere brincar com as palavras. Iludir. Manipular. Fazer graça quando o assunto é sério. E insultar a inteligência do leitor sem o menor embaraço. A única resposta à altura é devolver com a mesma moeda: se saiu no Globo, não é confiável. Do contexto da minha crítica conclui-se que qualifico "O Globo" como um jornal não confiável. Substituindo "O Globo" pela expressão "um jornal não confiável" temos o seguinte resultado: se saiu em um jornal não confiável, não é confiável. Uma redundância irrefutável. Agora estamos todos quites.