sábado, 23 de abril de 2016

Nem contra nem a favor, muito pelo contrário

Stendhal (1783-1842)
Fazer campanha em favor do impeachment, se mobilizar pela cassação de Eduardo Cunha e, ao mesmo tempo, repudiar um eventual governo Temer é uma contradição em termos. Impeachment, Cunha e Temer são um bloco só. Todos os termos se implicam mutuamente. Não dá para separar suas partes. Trata-se de um combo. Um pacote fechado. Ou se aceita tudo. Ou se rejeita tudo. Em bloco. Não há meio termo. O momento é muito sério. Exige posicionamento claro e coerente. O que não cabe é ficar no meio do caminho. Quem atira para todos os lados costuma não acertar em alvo nenhum. Acreditar que um processo de impeachment conduzido por um dos piores quadros que a história política brasileira já nos ofereceu, sem nenhuma sustentação jurídica, poderia ser produzido sem trazer consigo toda a ilegitimidade daqueles que tentam, de modo canhestro e ilegal, torná-lo legítimo, é no mínimo um ato de irracionalidade. Ou de infantilismo. Já dizia Stendhal: "Quanto mais se quer agradar em geral, menos se agrada profundamente".