sábado, 2 de abril de 2016

Hora de levar a democracia a sério

Rio de Janeiro, Largo da Carioca
Foto Isabela Kassow
Para aqueles que não compreendem a diferença elementar entre Estado e governo, um alerta: o golpe ora em curso, que se utiliza de um instituto previsto na CF, o impeachment, para fins inconstitucionais, é obra conjunta de uma parte da sociedade civil, incluídas a grande imprensa, setores da academia e as entidades patronais, e de uma parte do próprio Estado, cujo aparelhamento ideológico e cuja hegemonia dominante são neoliberais, independentemente de quem o governe. Não sob a forma de uma conspiração, mas como forças difusas que se aglutinam em torno de interesses comuns. O ataque ao governo democraticamente eleito que testemunhamos neste exato momento é fruto de uma demanda reprimida das elites e suas redes de interesse, que não conseguiram impor livremente suas agendas conservadores na última década. Em outras palavras, não conseguiram concluir o projeto que FHC iniciou: enterrar a Era Vargas. Precarizar os trabalhadores, privatizar as riquezas do Estado que restam, liquidar com o sistema de seguridade e assistência sociais, acabar com o salário mínimo e tantos outros direitos conquistados historicamente com sangue, suor e lágrimas. O momento agora é de resistir ao ataque da plutocracia à democracia. Depois de alcançado o objetivo de resistência, será preciso ir além. Será preciso uma verdadeira revolução social, de fora para dentro, de baixo para cima. E o único meio de romper com essa distopia do capital financeiro e das grandes corporações, incrustada no seio das instituições públicas e de parte significativa da sociedade civil, causa máxima da corrupção e da falência da sociedade, é começar a levar a democracia realmente a sério. A única revolução possível é aprofundar a democracia. O último bastião de defesa dos interesses populares. Antes que seja tarde.