sábado, 30 de abril de 2016

Choque de barbárie ou a distopia Temer

Guernica, Pablo Picasso (1937)
Depois da vitória esmagadora do pedido de impeachment no Congresso Nacional ficou bastante claro por que os governos eleitos precisam fazer coalizão para simplesmente governar. Qualquer presidente sem maioria parlamentar é reduzido a póCom a formação de um presidencialismo de coalizão, FHC aprovou 84,4% de suas propostas, Lula 90% e Dilma 88% (no primeiro mandato). A menos que haja uma reforma política, não há outro modo de governar senão formar uma maioria no Congresso Nacional mediante coalizão partidária. Não se trata de um ato de desvio moral, como quer dar a entender o angelismo de esquerda, mas de pragmatismo político. Se Michel Temer for confirmado como Presidente do Brasil, governará com ampla maioria no Congresso. Todas as demandas reprimidas dos setores conservadores da sociedade serão atendidas. Redução da maioridade penal, privatizações em série, entrega do pré-sal para empresas estrangeiras, fim da relação de emprego via terceirização, mitigação da caracterização de trabalho análogo a escravo, facilitação do porte e da venda de armas, reforma previdenciária, desmantelamento das redes de proteção social, precarização das áreas culturais, congelamento do salário mínimo, afrouxamento da legislação ambiental, blindagem de políticos aliados, elevação das taxas de juros e tantas outras agendas conservadoras. A grande imprensa está chamando isso de choque de credibilidade. Mas o que virá é um choque de rentabilidade/lucratividade para o capital financeiro e para as grandes corporações. E um choque de barbárie para o restante da população.