sexta-feira, 29 de abril de 2016

A canastrice canalha de Janaína Paschoal

Por que Janaína Paschoal interpreta tão mal seu papel de advogada indignada e defensora da moral administrativa? Que é uma performance, todos sabemos. Que é bem remunerada, também sabemos. Mas por que tão mal feita? Por que tão grotesca e artificial? Pelo simples fato de a aspirante a atriz não esquecer de si mesma um só segundo. É todo o tempo autoconsciente. Tudo é calculado. Até o alongamento antes da sessão é estudado. Os movimentos não são espontâneos. Faz tudo como se estivesse observando a si mesma. É tão preocupada com sua autoimagem, e tão narcisista, que não pode ser interessante de se ver. E a câmera é inclemente. Sua desconfortável presença explode nas lentes. Seus únicos instantes de espontaneidade são expressões de ódio. Um ódio ressentido. Mesquinho. Um ser autômato que odeia a vida. A canastrice, fruto de uma vaidade excessiva e de um ódio difuso, é exposta em sua versão mais perigosa. Aquela da vida real. Quando a canastrice vira canalhice. Tudo isso, somado ao conteúdo de seus discursos, resulta nas piores combinações possíveis. Artificialidade com superficialidade. Ódio com vaidade. É o momento em que ética e estética naufragam. Simultaneamente.