quinta-feira, 10 de março de 2016

Os restos de tudo o que brevemente quase chegamos a ser

Ulysses Ferraz, no entorno do Teatro Oficina
Bixiga. São Paulo. Foto Jeniffer Glass
"O capitalismo é a celebração de um culto sem trégua e sem piedade. Para ele não há dia que não seja festivo no terrível sentido de toda pompa sacral, do empenho extremo do adorador." (Walter Benjamin)

Em breve os juros subirão ainda mais. Em breve, as leis trabalhistas serão flexibilizadas, a previdência reformada e o pré-sal transferido às Sete Irmãs. Em breve, a maioridade penal será reduzida, o financiamento privado de campanha oficializado, o trabalho análogo à escravo mitigado e o salário mínimo congelado. Em breve, as redes de proteção social serão desmanteladas e mais prisões serão construídas. Em breve, as ONGs financiadas por bancos internacionais substituirão as entidades do Sistema Único de Assistência Social. Em breve, universidades e hospitais públicos serão privatizados. Em breve, o superávit primário reinará soberano e o Banco Central será independente. Em breve, a Constituição Federal será rasgada. Em breve, só sobrarão os restos de tudo o que quase chegamos a ser. Em breve, seremos os escombros de uma construção sempre interrompida. Em breve, as grandes corporações sorrirão ainda mais. E a ditadura do mercado financeiro, em festa, prevalecerá. Outra vez, um golpe de Estado está derrotando o Brasil. Aniquilando a nossa sempre breve democracia.