domingo, 27 de março de 2016

Os novos sofistas e suas narrativas ridículas. Em resposta a Merval Pereira.

Retórica - Óleo sobre tela, Laurent de La Hire (1650)
Senhor Merval Pereira, usar editoriais do 'Washington Post', do 'The New York Times' e da revista 'The Economist' como argumento de autoridade para justificar a renúncia da presidente Dilma Rousseff, no mesmíssimo texto em que o senhor nega que haja interesses internacionais envolvidos no processo de impeachment ora em curso, sobretudo aqueles relativos à entrega do pré-sal a grandes empresas petrolíferas estrangeiras é, no mínimo, abrir o flanco para ser flagrado, mais uma vez, na arte de sofismar, sem, contudo, deter os refinados dotes dos sofistas da Antiguidade Clássica. O apoio das corporações midiáticas citadas pelo senhor apenas reforça a tese de que há interesses econômicos internacionais envolvidos. Ou o senhor crê que apenas 'O Globo' depende das grandes corporações para a sua sobrevivência? No entanto, sou obrigado a parabenizá-lo pelo título de seu texto: "Narrativa ridícula". Não há palavras mais adequadas para batizar uma narrativa, de fato, ridícula. A correspondência entre o título e o conteúdo do seu texto é espantosa. Ao final do seu artigo, também sou obrigado a lhe dar razão. Sou forçado a concordar quando o senhor afirma que alguns dos argumentos daqueles que são contrários ao 'impeachment' seriam antiquados, pois apontam para um ataque às nossas riquezas naturais por parte do capital internacional. De fato, essa história é antiga. Nos dias de hoje, com os documentos recentemente revelados pela Casa Branca, e magnificamente expostos no documentário "O dia que durou 21 anos", todos sabemos que os Estados Unidos deram suporte financeiro, militar e logístico ao golpe de Estado de 1964. De fato, não é de hoje que a democracia brasileira e seus recursos naturais, assim como seus recursos humanos, seu amplo mercado consumidor, enfim, todos os seus potenciais econômicos, humanos e ecológicos são alvos de ataques por parte dos países ricos do Hemisfério Norte. Não se trata de conspiração, certamente, mas de interesses difusos reais. A cobiça pelas nossas riquezas é deveras antiga.