quinta-feira, 24 de março de 2016

O Brasil é uma democracia

Movimento Diretas Já (1983)
É urgente explicar para a população de um modo geral, inclusive aos segmentos mais escolarizados, o que significa o termo comunismo. Um conceito quando é usado de forma imprecisa e incorreta, generalizadamente, torna-se vazio de conteúdo. Só contribui para a propagação de ruídos e mal entendidos. E fomenta a violência. Até o cardeal dom Odilo Pedro Scherer foi agredido por uma senhora que o acusou de "comunista". Essa onda de ódio, turbinada pela ignorância fundamentalista de certos grupos, sob a conivência dos principais meios de comunicação, vai acabar resultando em tragédia. Será preciso que haja mortes? Assassinatos? O Brasil não é um país comunista. Tampouco socialista. É um Estado democrático de direito. Temos eleições diretas regulares. O setor privado corresponde a mais de 90% da atividade econômica no país. O "tamanho" do Estado é relativamente pequeno em proporção às maiores economias do mundo e às economias de países em desenvolvimento. A carga tributária em relação ao PIB está na média do Brics e dos países da OCDE. O grau de regulação dos mercados no Brasil é compatível com todas as democracia desenvolvidas do mundo, para que o capital não se concentre excessivamente, e não haja formação de monopólios e oligopólios, de modo a prejudicar o público consumidor. Não há restrições para investimentos estrangeiros e a remessa de lucros para o exterior, além de permitida, não é sequer tributada. E o direito de propriedade privada é garantido pela Constituição Federal. Um governo que implementa um mínimo de políticas públicas voltadas para inclusão social, redução da pobreza e melhor distribuição de renda e riqueza não é comunista ou socialista. Todos os países capitalistas desenvolvidos, as chamadas economias do Norte, possuem, em algum grau, maior ou menor, algum tipo de rede de proteção social. No Brasil, sequer atingimos o patamar de Estado de bem-estar social, como na maioria dos países ricos da Europa, apesar dos esforços dos últimos 12 anos dos governos Lula e Dilma. A construção de uma sociedade mais justa e igualitária, sob princípios democráticos, em um Estado de direito consolidado, ainda é um objetivo quase utópico no Brasil. E cada vez que nos aproximamos deste ideal, as forças conservadoras entram em ação para desconstruir as conquistas democráticas e sociais do país. Essas mesmas forças conservadoras que, quando lhes convêm, não respeitam os direitos humanos mais básicos, alimentam o ódio e a ignorância das massas, inclusive da classe média hipnotizada ideologicamente, e fazem crer, assim como em 1964, que vivemos numa ditadura comunista do tipo stalinista. Até quando vamos permitir e tolerar que manipulem nossas cérebros e insultem a inteligência coletiva da nação?