terça-feira, 29 de março de 2016

Jornalista ou inquisidor?

Merval Pereira perdeu a compostura e assassinou a ética jornalística. Em seu artigo de hoje no Globo, Merval escreve como se Lula houvesse comprovadamente cometido crimes. Julga antes mesmo de haver uma denúncia do MP contra o investigado. Condena antes de haver acolhimento da denúncia pelo magistrado competente. Atropela o devido processo legal. Impunemente. Joga no lixo a CF e reforma o Código de Processo Penal ao seu bel prazer. Transforma investigação em condenação. Profere sentenças mesmo sem ser juiz. E acusa a presidente Dilma Rousseff pelo crime de obstrução de justiça, como se o cargo de ministro de Estado gozasse de algum tipo de imunidade penal. Merval legislador. Merval promotor. Merval juiz. Merval inquisidor. Ora, se alguns juízes julgam-se deuses, como Merval julgará a si próprio, ao se posicionar acima deles? Os leitores adestrados assimilam o mantra. Replicam o conteúdo nas redes sociais. A leviandade vira verdade. A manipulação é explícita. Não há problemas quando um articulista se posiciona em relação aos acontecimentos políticos de um país. O problema é quando os argumentos são construídos a partir de premissas falsas. Se não é possível mais ser objetivo e imparcial nos jornais da grande imprensa, ao menos que se respeite minimamente os fatos. E o ordenamento jurídico do país.