quinta-feira, 17 de março de 2016

A grande imprensa se tornou uma fábrica de monstros morais

Kristallnacht
Foto: Arquivo Yad Vashem
"Há contradição na tolerância. Até que ponto se deve tolerar aquilo pode destruir a tolerância? Quando a democracia está em perigo, a tolerância pode se tornar suicida." (Edgar Morin)

A situação está gravíssima. Hoje na livraria Travessa de Ipanema, durante o lançamento do livro de um amigo, uma senhora se dirigiu ao nosso grupo com a pergunta: tem algum "petista" aí? Em seguida emendou que a solução para a economia do país seria o assassinato de Lula. Quando pedi para que a senhora se afastasse porque não estávamos interessados em assuntos que incitassem o ódio gratuito e a violência indiscriminada, muito menos nenhuma espécie de assassinato a quem quer que seja, a senhora respondeu que os brasileiros são muito medrosos. Que éramos um país de covardes. E saiu falando sozinha. Para completar, na fila do caixa, enquanto pagava o livro que havia acabado de adquirir, no guichê ao lado, uma outra senhora fazia discurso inflamado contra o bolsa-família, afirmando que a praia de Ipanema estava infestada de pobres que viviam do bolsa-família e que, em vez de trabalhar, passavam o dia vadiando na praia. Eis o retrato, aqui e agora, dessa fábrica de monstros morais que a grande imprensa e certos formadores de opinião estão transformando o Brasil. As ideias não são inocentes. Sobretudo quando divulgadas em meios de comunicação de massa. A continuar assim, muito em breve, seremos um país de autômatos fascistas. Vivendo novas noites de cristais.