domingo, 6 de março de 2016

Aviso aos navegantes

Agradeço aos comentários críticos às minhas publicações. O confronto de ideias é sempre bem-vindo. Mas se é para dizer tudo que os articulistas do Globo, da Veja e similares já dizem todos os dias, há meses, que digam pelo menos de algum jeito mais original, com alguma marca pessoal. O formato que geralmente utilizam ou é transcrição dos veículos dominantes ou é composto de adjetivos que nada acrescentam ao debate, do tipo "esquerdopata", "idiota", "petralha", "fanático" etc. Isso também já está gasto. Se querem comentar, façam qualquer coisa que não seja no estilo redação de vestibular, em prosa moralista, como fazem Merval Pereira e Míriam Leitão diariamente em suas colunas. Isso eu já tenho acesso. Já conheço forma e conteúdo. Sei que há muita exaltação e emoção em suas vozes, entendo perfeitamente esse sentimento. Mas fiquem tranquilos. Não percam tanto tempo em reproduzir os conteúdos dos textos da grande mídia com tanta paixão. Estes conteúdos já estão em reprodução inercial. Já há gente demais falando a mesma coisa e do mesmo jeito nos principais jornais, em todas as televisões, nas rádios, nas ruas, nas redes sociais, botequins etc. O clima de opinião lhes é favorável. Vocês representam "a" opinião pública, esta que é divulgada nas pesquisas mais recentes. Suas vozes têm espaço na mídia, nas cartas ao leitor dos grandes jornais, onde quer que haja visibilidade, suas opiniões são muito bem recebidas. Vocês expressam o mais novo consenso do pensamento político brasileiro. São os bastiões das manifestações de massa, das indignações coletivas. Vocês são as vozes das ruas, a convergência das ideias em verde e amarelo. Representam a ideologia hegemônica. Há tudo menos solidão em vossas ideias. Não me julguem mal. Não se trata aqui de censura de conteúdo, apenas um pedido no campo da Estética e da Lógica. Em vossas linhas do tempo ou blogs publiquem o que bem entenderem, no formato que julgarem mais adequado. Mas a título de comentários críticos às publicações da minha linha do tempo e do meu blog, faço apenas este singelo pedido. Comentem em outro formato ou digam ao menos alguma coisa que não seja mera réplica do que já sai no Globo, na Veja e similares. E de preferência, se possível, comentem e critiquem o texto efetivamente publicado. Ataquem meus argumentos, rebatam minhas ideias, apontem falhas, contradições, mas não escrevam qualquer coisa que lhes venha à cabeça, sem nenhuma conexão com o texto objeto de crítica. Fica uma conversa de surdos. Sejam meus adversários intelectuais, não meus inimigos. Se não for possível atender ao meu singelo pedido, prossigam como de costume, sabendo apenas que não vou lê-los, por amor à brevidade, à beleza, ao precioso tempo e por desamor à redundância. Obrigado.