domingo, 20 de março de 2016

Aos militantes do angelismo de esquerda: um grito de alerta

Para os que gritam "Qué se vayan todos" ou “Fora todos eles”, esquecendo-se de que, na prática, quando "todos" se vão, quem sempre fica são os Bolsonaros, os Cunhas e Aécios. Para a parcela purista da população que se diz "de esquerda", mas que se recusa a tomar posição nesse momento de ameaça à democracia brasileira, alegando que os governos Dilma e Lula seriam versões suavizadas do neoliberalismo internacional. Para os que afirmam com ceticismo cínico que tanto faz PT, PMDB ou PSDB pois "dá tudo na mesma". Para vocês, militantes do angelismo de esquerda, um importante aviso de alerta:

Se assim fosse, a bolsa não subiria e o dólar cairia toda vez que o governo Dilma e o PT são ameaçados.

Se assim fosse, PSDB e PMDB não estariam conspirando diariamente para tomar o poder e implementar o programa "Ponte para o futuro", uma aberração neoliberal que fará o país retroceder 30 anos.

Se assim fosse, a Fiesp (que hoje mais representa o rentismo do que a indústria nacional) não estaria em campanha aberta pelo golpe de Estado, juntamente com a Febraban e outras entidades representativas do empresariado brasileiro.

Se assim fosse, a rede Globo, junto com a revista Veja e similares, assim como toda a grande imprensa, não estariam manipulando informações diariamente para desmoralizar o ex-presidente Lula e derrubar o governo Dilma Rousseff.

Se assim fosse, banqueiros de investimentos e especuladores nacionais e internacionais não estariam procedendo a sucessivos ataques especulativos, agressivamente, desde que Aécio Neves perdeu as eleições em 2014.

Se assim fosse, as manifestações em favor do impeachment não seriam compostas apenas por setores que, segundo o Datafolha, possuem escolaridade e renda muito superiores ao restante da população.

Se assim fosse, o grande capital financeiro, as grandes corporações, as sete irmãs do petróleo e todas as entidades e "think tanks" que os representam não estariam pressionando congressistas ostensivamente para aprovar as pautas conservadoras (que a bancada do PT combate praticamente sozinha) e dar celeridade ao impeachment.

Se assim fosse, membros do judiciário e da polícia federal ligados ao PSDB e a setores do empresariado não estariam rasgando a Constituição Federal para prender Lula agora e processar Dilma após a conclusão do golpe de Estado.

Se assim fosse, nesses anos de governo Lula e Dilma, já estariam em vigência a lei da terceirização, a redução da maioridade penal, o fim do regime de partilha da Petrobras, a mitigação do trabalho análogo à escravo. A previdência já teria sido reformada e o salário mínimo congelado.

Se assim fosse, não haveria bolsa-família, nem cotas universitárias. As redes de proteção social estariam desmanteladas e as ONGs financiadas por bancos internacionais já teriam substituído as entidades do Sistema Único de Assistência Social. As universidades e hospitais públicos estariam nas mãos da iniciativa privada, a Petrobras privatizada, o Banco Central seria independente e os juros estariam ainda mais elevados.

Se assim fosse, os governos Lula e Dilma não teriam sido eleitos por quatro pleitos consecutivos em razão dos votos obtidos da parcela da população que não vota por ideologia mas por uma questão de inteligência prática, pelo simples fato de terem melhorado suas vidas. Basta olhar os mapas de votação por região geográfica.

Portanto, meu apelo mais sincero e urgente: esquerdas do Brasil, uni-vos!