segunda-feira, 14 de março de 2016

13 de março de 2016, o dia em que rezei por dias melhores

Foto da Estação Maracanã, por Isabela Kassow
Domingo, 13 de março de 2016. 10h da manhã, Copacabana, metrô Cantagalo. Destino: Central do Brasil e depois Hospital da Piedade, local onde meu pai está internado. Enquanto tentava acessar a plataforma do metrô, no interior da estação, deparei-me com uma multidão, em sentido oposto ao meu, cujo destino era a praia de Copacabana. Vestidos em verde e amarelo, aos berros e gritos raivosos de fora tudo e todos, exceto Moro e as instituições coercitivas do país, a multidão era um obstáculo a ser transposto com o mínimo de calma e racionalidade. Ao ler a faixa "In Moro we trust", decidi atravessar a massa homogênea e asséptica em oração silenciosa. Orei por dias melhores, pela minha mulher, por meus filhos, pela minha família, amigos, conhecidos, pelos brasileiros, pelo Brasil. Por um mundo melhor. De olhos cravados no chão, completei a travessia. No contra-fluxo, trens vazios. Na Central, tudo normal. No trajeto até Piedade, uma calma quase transcendental. Somente o som das pessoas vivendo o cotidiano de suas vidas. Gritos, muito mais suaves, só dos ambulantes que circulavam entre os vagões. Música para os ouvidos. Existem muitos brasis no Brasil. Meu pai passou bem o dia. Na volta, Copacabana estava deserta. A noite superou a aspereza do dia. E o amanhã fez nascer um outro dia. Segunda-feira, 14 de março de 2016.