domingo, 28 de fevereiro de 2016

Quando os limites da negociação se esgotam

Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
"Não se satisfaz a fome de leão do PMDB com alface."
(José Paulo Netto)


Não há mais espaço para concessões e acomodações por parte do governo federal. A nomeação de Joaquim Levy ano passado foi claramente um mecanismo de linguagem para "acalmar" os mercados. Racionalmente teria funcionado. Já houve tempo em que se "ganhou tempo" com esse expediente. Mas desde que Aécio Neves perdeu as eleições em 2014 o componente de racionalidade está excluído da ação política. A ordem da oposição, e de todos os setores que ela representa, é derrubar o governo eleito, seja por mecanismos jurídicos, seja por asfixia econômica. O mesmo vale para os acordos com o PMDB. Acomodações não funcionam mais. Ceder até o ultrapassar os limites da dignidade não será suficiente para contornar crises políticas ou econômicas. Ainda há três anos de mandato presidencial. "Quanto mais se agrada em geral, menos se agrada profundamente", escreveu Stendhal. A única saída é suspender todas as barganhas políticas. E cumprir rigorosamente as diretrizes de um programa de governo legitimamente eleito pelas urnas. Muito pode ser realizado independentemente de processos legislativos. O Banco Central não precisa de lei para baixar o juros. Do lado monetário, um aumento na taxa de juros entra em vigor imediatamente. Uma intervenção no câmbio é ato de rotina no Banco Central. Tudo feito por mesa de operações. Metas de inflação são modificadas com uma simples canetada. Do lado fiscal, um corte ou aumento no orçamento exigem interminável barganha política. Por sua vez, a política monetária não depende do Congresso Nacional. Tampouco a nomeação de ministros que não estejam alinhados com a hegemonia neoliberal. Hora de negociar menos e trabalhar mais.