terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Post Sriptum

Planet Earth, by RoadToVictory
"A vaidade dos outros só vai contra o nosso gosto quando vai contra a nossa vaidade." (Friedrich Nietzsche)

Será que Zygmunt Bauman escreveu seu livro "Vida para consumo" pensando em nós brasileiros, consumistas e perdulários? E a "Fogueira das vaidades" de Tom Wolfe? Também foi escrito em nossa homenagem, um povo que acha bonito ser vaidoso? Francis Bacon, grande filósofo e ensaísta, também corrupto histórico, provavelmente deve ter praticado atos ilícitos na Inglaterra do século XVII inspirado em um país do futuro chamado Brasil. O cardeal Richelieu, virtual governante da França no século XVII, conhecido por distribuir cargos para familiares e amigos próximos, também deve ter sido influenciado pelas práticas de apadrinhamento de um certo país da América Latina, cuja certidão de nascimento data de 1822. Certamente Woody Allen escreveu o roteiro de "Celebridades" pensando na futilidade do povo brasileiro. Será que as falcatruas financeiras, as maquiagens de balanços, as fraudes aos pequenos poupadores e os desfalques à economia popular, chancelados pelas agências de risco internacionais, causados por empresas como a Enron e o Lehman Brothers, saíram de cérebros brasileiros infiltrados nas grandes corporações da América do Norte? Provavelmente os países do Hemisfério Norte, como EUA, Inglaterra, França, Itália, Espanha, Grécia, todos com uma dívida pública superior a 70% em relação ao PIB também devem ter sido mal influenciados por um país tropical, endividado por Deus, cuja débito imoral atualmente está em torno de 59% do PIB. Tragédia. Talvez também sejamos culpados pelo colonialismo, escravismo, imperialismo, nazismo, fascismo, stalinismo, neoliberalismo. Por Auschwitz, Guernica, Hiroshima, Nagazaki, Chernobyl. Pela bomba de hidrogênio, o Napalm, a Coca-cola, o DDT, a Disneylândia, o Botóx, o SUV, a Ku Klux Klan. Seremos os inventores da sociedade de consumo, da publicidade, do crediário, dos juros sobre juros, do cartão de crédito, do cartão de ponto? Os pais do individualismo, do utilitarismo e da mão invisível do mercado? Quem sabe não somos a causa das crises de 1929, de 2008, das maiores emissões de gases de efeito estufa na atmosfera, do aquecimento global e do culto à celebridade. Hora de assumirmos nossas culpas. Nós brasileiros, do catador de lixo ao presidente da maior empresa nacional, somos todos vaidosos, ineficientes, improdutivos, perdulários, injustos, irracionais, corruptos, egoístas, impontuais e preguiçosos (exceto no carnaval). Ainda bem. Basta olhar o mundo ao redor e perceber que nada disso nos particulariza. Serve apenas para confirmar o fato de que somos parte incontestável da espécie mais imperfeita e contraditória do planeta Terra. A única espécie julgadora e moralista: a espécie humana.