domingo, 28 de fevereiro de 2016

Desemprego galopante ou como se fabrica uma crise

Fila da sopa. Desempregados em Chicago
durante a Grande Depressão. (Photo Newscom)
O Brasil talvez seja o único país do mundo em que uma taxa de desemprego de 7,6% é objeto de reportagens especiais nos telejornais e nos cadernos econômicos da grande imprensa. Ignorância ou má-fé? Em longa reportagem do RJTV, a matéria alardeava dramaticamente uma taxa de desemprego de 5,1% no Estado do Rio de Janeiro. Nos manuais de Economia, uma taxa de desemprego em torno de 5% já é indicador de pleno emprego. A desproporção entre a realidade dos fatos e a resposta irracional de grande parte da sociedade civil "escolarizada" é gritante. Como seria a reação da imprensa e da classe média se estivéssemos enfrentando uma grande depressão, nos moldes da crise de 1929 ou, como mais recentemente, a crise em 2008, quando alguns países tiveram quedas no PIB superiores a 30% e taxas de desemprego que ultrapassaram 25%, chegando a mais de 50% entre jovens de 18 a 30 anos? E se estivéssemos na situação da Grécia ou da Africa do Sul? Alguém poderia imaginar? Na França a taxa de desemprego atual está 10,5%. Na Grécia 25,6%. Espanha 23,2%. Itália 12,7%. A média da taxa de desemprego na Europa está em 11,3%. Nos EUA, a taxa é de 5,5%. Em 2009, em razão da crise mundial, o desemprego nos EUA havia atingido 10,2%. Entre os países dos chamados Brics, na China o índice de desemprego é de 4,1% e na Rússia é de 5,9%. Esse índice é de 8,6% na Índia. E na África do Sul a taxa de desocupação está em 24,3%. Se nossos indicadores já estiveram melhores, é preciso reconhecer que estão longe de representar um colapso econômico. Houve momentos em nossa história muito mais graves, em que convivíamos com estagnação da atividade econômica e uma inflação de 499% ao ano. Mas ao que parece, as percepções estão distorcidas. Nossa população não está preparada para enfrentar nenhum tipo de adversidade real ou uma crise verdadeiramente profunda. Nosso tecido social está fragilizado. Fraturado. Fragmentado. Em vez de união, força e trabalho, uma grande parte da sociedade civil está reagindo com segregação, medo e violência. Práticas tipicamente fascistas. Ignorado pelos principais meios de comunicação, relevado por uma grade parte de nossos formadores de opinião e aplaudido por alguns segmentos de nossa sociedade, o fascismo está definitivamente entre nós.