sábado, 27 de fevereiro de 2016

A prova da inocência de Lula é a sua liberdade

Convergência, pintura de Jackson Pollock
Não são apenas algumas figuras públicas que estão judicialmente blindadas mas também o cérebro de grande parte da opinião pública está blindado e absolutamente impermeável aos fatos e às evidências. justiça do Brasil é seletiva. Para alguns partidos e empresas, ela é cega. Não funciona. Para outros, ela é eficiente e eficaz. Lula evidentemente não pertence à categoria dos blindados. E a maior prova de que Lula deve ser inocente de todas as acusações a que vem sendo submetido diariamente é o simples fato de ele estar livre. No Estado policial que se tornou o Brasil, em que membros do Ministério Público e do Judiciário protagonizam uma espécie de caça às bruxas aos principais quadros do PT há mais de uma década, caso houvesse evidência da morte de uma pulga no pelo de um suposto cachorro vira-lata, que estivesse perdido nas proximidades da residência do ex-presidente, certamente Lula já teria sido preso por crime ambiental. Ou a mera compra de um picolé na Praia Grande, em dinheiro vivo, flagrada por algum "jornalista", poderia ensejar prisão por incitação de comércio ilegal de alimentos industrializados, favorecimento à economia informal, estada em local de veraneio acima de seu poder aquisitivo e, muito provavelmente, venda de contratos milionários com os ambulantes locais, tudo isso às custas dos cofres públicos. Assim como aconteceu com Getúlio Vargas, em que nenhum enriquecimento lícito ou ilícito foi provado após sua morte, a oposição predatória e a mídia corporativa estão cada vez mais atoladas para comprovar a existência do mítico "mar de lama", agora navegado por barcos de latão, e que assombra o imaginário das classes médias desde os tempos de Carlos Lacerda.