domingo, 21 de fevereiro de 2016

A blindagem de FHC e o preconceito de classe

Enquanto FHC continua blindado pela imprensa corporativa, as revistas Época e Veja, assim com as primeiras páginas de todos os jornalões, continuam a perseguição implacável a Lula. A assimetria de tratamento salta aos olhos e revela o preconceito de classe existente em nossos veículos de comunicação de massa, que refletem o núcleo duro das ideologias de nossa classe média. Se o sociólogo tivesse a biografia do operário, exceto pelo fato de ser operário, e vice-versa, aquele seria o maior estadista brasileiro de todos os tempos, enquanto este seria apenas um usurpador da República, ilegítimo para ocupar o cargo de chefe do Executivo de qualquer país. Um desclassificado que só chegou à presidência duas vezes consecutivas e elegeu a sucessora por culpa de um acidente da democracia, esse regime de governo tão perverso, injusto e nada meritocrático. Em outras palavras, quaisquer que fossem as biografias de ambos, a história contada pela grande imprensa seria sempre a mesma. O sociólogo: a história de um homem "preparado", um modelo de conduta moral a ser enaltecido e festejado pela eternidade. O operário: apenas um desvio da história a ser expurgado o quanto antes da biografia do Brasil.