segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Empatia: uma questão de humanidade

Foto Isabela Kassow
Mandar alguém ir "morar na favela" por se preocupar com questões sociais, além de revelar preconceito social até os ossos, denota uma total incapacidade de ter aquele sentimento fundamental que nos torna humanos: a empatia. A capacidade de se colocar no lugar do outro é impensável para aqueles que julgam ser possível se interessar apenas pelos problemas que pertencem à própria classe ou segmento social. É o máximo do individualismo. É como se uma pessoa não pudesse se preocupar com alguém que estivesse sofrendo por alguma dor a menos que também sofresse a mesma dor. Um médico jamais poderia se interessar pelo problema de um paciente salvo se portasse a mesma doença. Com o agravante de o fator determinante da falta de empatia ser uma posição de classe. Uma espécie sórdida de separatismo emocional, em razão da posição social. É a mesma lógica que faz uma criança da periferia, vítima de uma bala perdida, não causar nenhuma comoção nas classes mais favorecidas, tampouco na mídia que as representa. Enquanto não rompermos essa lógica de exclusão do outro estaremos distantes de sermos minimamente humanos.