segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

A desigualdade como motor da ineficiência econômica

Foto - Agência France-Presse
Segundo Joseph Stiglitz, economista e ganhador do prêmio Nobel em 2001, nem mesmo na escola de Chicago os economistas ainda acreditam que o liberalismo radical conservador seja uma solução plausível para a sociedade. Esse é um pensamento da velha escola de Chicago, que predominou nos meios acadêmicos até a década de 1990, e que hoje só é levado a sério por economistas e jornalistas da América Latina, e por membros da elite financeira mudo afora, pois são os agentes mais beneficiados pelo ideário neoliberal. Nas principais universidades do mundo, aí incluídas Harvard, MIT, Columbia, Princeton, London School of Economics, já se considera seriamente, nos modelos explicativos, que a desigualdade é um dos mais graves fatores de ineficiência econômica. Segundo os estudos econômicos mais avançados, a busca por uma sociedade mais igualitária, a par das limitações impostas pelo meio ambiente, são os desafios mais relevantes a serem enfrentados pela economia como ciência. Infelizmente, aqui nos trópicos, a discussão sobre economia ganhou uma feição maniqueísta. Estado demônio versus mercado sacrossanto. Toda racionalidade é substituída por um receituário obsoleto, manipulado por uma imprensa parcial, uma academia decadente e uma elite cínica, mas que detêm os meios de produção dos discursos autorizados. O efeito mais alarmante é a infantilização das camadas médias da população, que assimilam acriticamente um conjunto de crenças e valores contrários a elas próprias. E a maior tragédia é o impacto real nas camadas mais carentes da população, que são as mais afetadas quando as ideologias neoliberais se convertem em políticas públicas. Dominação simbólica. Violenta e eficaz. Obscurantista.