sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Por que não?

Captura de Jerusalém, durante a primeira Cruzada.
Ano de 1099. Pintor desconhecido
Se Lula, por que não FHC? Se Dirceu, por que não Cunha? Se Noriega, por que não Reagan? Se Saddam, por que não Bush? Se contrabandista de ouro, por que não traficante de escravos? Se PT, por que não PSDB? Se financiamento de campanha, por que não compra de reeleição? Se batedor de carteira, por que não latifundiário? Se Paris, por que não Galadima? Se jogo clandestino, por que não o carnê do baú? Se Legislativo, por que não Judiciário? Se Executivo, por que não Forças Armadas? Se guerrilheiro, por que não torturador? Se cambista, por que não acionista? Se usurário, por que não banqueiro? Se índio, por que não bandeirante? Se camelô, por que não oligopólio? Se ativista, por que não poluidor? Se MST, por que não TFP? Se jihadista, por que não cruzado? Se favela, por que não condomínio? Se analfabeto, por que não doutor? Se corrupção, por que não sonegação? Se público, por que não privado? Se Estado, por que não mercado? Se barbárie, por que não civilização?

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

A insustentável aspereza do mundo

Crédito da imagem: NASA
Esta tristeza é minha? Ou é a tristeza do mundo?
Sou eu que ando a me desfazer pelo mundo? 
Ou o mundo é que se desfaz enquanto me desfaço?
A irrelevância diante do mundo é só minha? 
Ou o mundo que é irrelevante, tão só em tantos mundos?
É o mundo assim árido, ou sou eu que deserto?
Sou eu que vagabundo? Ou o mundo que vaga mudo?
A brutalidade é minha, ou é a aspereza do mundo?
Será minha dor assim grande? Ou o mundo que é imenso?
Sustentarei ainda o meu ser nesse mundo insustentável?
Ou somos todos um mundo, que já não suporta mais ser?

terça-feira, 24 de novembro de 2015

Narciso acha feio o que não é espelho

Carlos Alberto Torre erguendo a taça Jules Rimet em 1970
Por que falamos tão mal da Argentina e nos consideramos tão superiores? Até usamos o termo "argentinização" como algo pejorativo, uma condição negativa a ser evitada. No entanto, os gastos dos argentinos com educação, em relação ao PIB, são mais elevados que os nossos. O número de médicos por habitante é mais alto. O PIB per capta é maior. A expectativa de vida é mais longa. A desigualdade de gênero é inferior. O índice Gini, que mede a concentração de renda, é melhor na Argentina que no Brasil. O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) deles ocupa um lugar muito mais bem posicionado no ranking mundial em relação ao nosso. O cinema argentino produz uma quantidade filmes bem maior que o cinema brasileiro. E quase todos de ótima qualidade. Eles têm até um papa progressista! Então por que tanto complexo de superioridade de nossa parte? Será que é porque a frota de veículos de lá é mais velha? Ou porque vencemos mais Copas do mundo de futebol? Por que somos tão narcistas ao nos compararmos com nosso irmão do Sul, apesar de tanto "complexo de vira-lata" em relação ao outro irmão do Norte? Mistério. Essa temática valeria um estudo antropológico aprofundado. Talvez agora com esse novo presidente eleito - neoliberal, austero, empreendedor, elegante, eficiente, cosmopolita, modernizador e preparadíssimo - tenhamos alguma chance de superá-los. Provavelmente mediante um nivelamento por baixo. Infelizmente. É fato que na última década nossos indicadores melhoraram.Mas se copiarmos a onda neoliberal de nossos queridos vizinhos, certamente navegaremos no mesmo barco. E afundaremos juntos. Num melancólico abraço de afogados. 

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Uma certa ignorância

El Tres de Mayo, de Francisco de Goya
A pior ignorância é a certeza tecnicista. 
Tecnocrática, autoritária, fascista.
Acompanhada de números,
pode matar mais que mil bombas. 
Atômicas. 
Acompanhada de letras,
pode matar mais que mil epidemias.
Agônicas.
Acompanhada de ciência, virulência.
Técnica e limpeza étnica.
Neutralidade ética.
Naturalidade bélica.
Ciência com impaciência.
Eficácia, falácia.
Eficiência, violência.
Erudição, dominação.
Nem ignorância da certeza,
ou certeza da ignorância.
Tecnocrática, autoritária, fascista.
A pior ignorância é a certeza tecnicista.

Neoliberalismo: a pior versão do capitalismo

É impossível não concordar com a frase célebre de Milton Friedman, o sempre citado (nem sempre lido) guru neoliberal: "não existe almoço grátis". De fato, não existe almoço grátis. Nem jantar. Nem Veuve Clicquot. Para que sejam mantidos os intocáveis privilégios das elites financeiras, só mesmo cortando gastos sociais, isentando a distribuição de lucros, deixando de tributar as grandes fortunas e, consequentemente, estimulando a concentração de renda. O economista Joseph E. Stiglitz, vencedor do prêmio Nobel de Economia em 2001, e muitos outros teóricos importantes, como Paul Krugman (também vencedor do Nobel) e Ha-Joon Chang, demostraram, em farta literatura acadêmica, que mercados desregulamentados frequentemente não só conduzem à injustiça social, mas sequer produzem resultados eficientes. Até publicações conservadoras, como o periódico The Wall Street Journal e a revista The Economist, além de instituições nada revolucionárias como o Banco Mundial e o FMI, admitem publicamente que as soluções neoliberais não entregaram o prometido. Ao contrário, reduziram o crescimento mundial e aumentaram a concentração da renda e da riqueza. No Brasil, o ideário só se mantém hegemônico na imprensa e na academia por um simples motivo: seus resultados beneficiam as elites financeiras, que encomendam produções científicas para justificar, à luz de uma suposta ciência econômica, seus privilégios de classe. Neoliberalismo não é sinônimo de economia de mercado. É apenas a sua distorção mais perversa.

domingo, 22 de novembro de 2015

Não existe pecado ao Sul do Equador

FHC, Ruth Cardoso, Marco Maciel e Carlos Menem - Foto Arquivo AE
“Aqueles entre nós que viveram os anos da Grande Depressão ainda acham impossível compreender como as ortodoxias do puro mercado livre, na época tão completamente desacreditadas, mais uma vez vieram a presidir um período global de depressão em anos recentes." (Eric Hobsbawn)

Um fantasma ronda a América Latina: o fantasma do neoliberalismo. Munido de uma agenda que lembra bastante a cartilha do Consenso de Washington, celebrada e implantada fielmente na região do Mercosul, durante a década de 1990, nos tempos de Menem, FHC & Cia, o candidato da coalizão "Cambiemos", Maurício Macri, foi eleito o novo presidente da República na Argentina.

A julgar pelo recente documento elaborado pelo PMDB, "Uma ponte para o futuro" (que poderia ter sido produzido por praticamente qualquer partido de oposição), expressão programática aglutinadora da onda liberal conservadora instalada por aqui nos últimos tempos, o quase quadragenário neoliberalismo, mais uma vez repaginado, a despeito de todos os seus fracassos mundo afora, também está bem vivo no Brasil. Não só na academia e na imprensa, onde sempre foi hegemônico, mas como projeto político explícito. E agora com um novo aliado no âmbito do Mercosul, recém eleito nas urnas argentinas.

Aqui do lado de baixo do Equador, a direita voltou para ficar. Com a adesão incondicional dos setores médios da sociedade, manipulados pela eterna elite rentista, cuja maior habilidade tem sido vestir ideologias concentradoras de renda e riqueza com o manto sagrado da "eficiência modernizadora", os efeitos dessa nova onda neoliberal deverão ser duradouros. E como de costume, devastadores. Sobretudo para as camadas menos favorecidas da população. 

Camadas desfavorecidas, eternamente esquecidas pelos poderosos representantes do mercado financeiro, travestidos de políticos, amparados ideologicamente pelas imensas côrtes de economistas, intelectuais e jornalistas. Todos sempre encantados com suas próprias ideias. Sempre muito bem remunerados. Sempre muito bem favorecidos. Todos sempre muito sorridentes.

domingo, 15 de novembro de 2015

Somos todos bárbaros

Ataque terrorista em Beirute, no Líbano (Reuters, 2015)
Lutos, pesares, lamentos. O mundo vive em estado de tragédia permanente. Hoje e sempre. Cotidiano intranquilo. Guerras, devastações, ganância, intolerância, brutalidade, terror. Sejamos solidários com as vítimas dos atentados na França. Mas sejamos também solidários com os libaneses, nigerianos, quenianos e tantas outras populações que têm sofrido ataques terroristas, sistematicamente, sob o silêncio quase absoluto do mundo "civilizado". A solidariedade e a empatia são sentimentos universais. No coração humano não existem fronteiras. Em tempos de individualismo extremo, nenhum sentimento de solidariedade precisa ser excludente. A hora não é de patrulhamento das comoções, próprias ou alheias. É natural nos comovermos com situações em que nos identificamos mais, em detrimento de outras que percebemos como mais distantes de nossas realidades. Ao fim e ao cabo, quase tudo acaba em esquecimento. Vivamos, portanto, cada um ao seu modo. Com suas dores. Seus prazeres. Seus amores. Interesses. Próximos ou distantes, sejamos o que somos: humanos, demasiadamente humanos. Seres imperfeitos, que no mais das vezes, em tempos de comunicação de massas, nos deixamos guiar pelas diretrizes de uma mídia hipócrita e cínica, que nos quer fazer crer existir uma luta entre civilização e barbárie, sendo ela mesma uma das mais bárbaras expressões do mundo atual. Enquanto isso, em terras brasileiras, nossas periferias explodem silenciosamente. Nossos doces rios morrem e levam consigo longínquas vidas humanas, de um mundo cada vez mais remoto e distante, enterrando sem nenhum funeral, toda a fauna e toda a flora do entorno, para sempre esquecidas.

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

O legado do "Império X" em São João da Barra

Em São João da Barra, com o pescador Milsinho
Foto Isabela Kassow
Eike Batista está proibido de exercer o cargo de administrador nos próximos cinco anos. A julgar pelo estrago que fez em São João da Barra, região esquecida pela irrelevância econômica de seus habitantes, a punição administrativa ao empresário, única até o momento, saiu de graça. As manipulações de resultados para inflar o preço das ações da OGX são "café pequeno" se comparadas à destruição ambiental provocada pelo grupo de Eike Batista, por meio das empresas LLX e OSX, nas áreas destinadas à construção do Complexo Portuário do Açu. Destruição da agricultura familiar e da pesca artesanal, que viviam em perfeito equilíbrio ecológico na região; desapropriações dos moradores locais, violentas e ilegais, ocorridas em plena madrugada, com uso de força policial e agentes de segurança particulares; retirada desenfreada e sem planejamento da vegetação local; contaminação do lençol freático e salinização da água em 7.200 hectares de terras próximas ao empreendimento. Este é o saldo deixado pelo "Império X" em uma das áreas mais belas e equilibradas ecologicamente do litoral Estado do Rio de Janeiro. Mais um caso de abandono e esquecimento em face de uma população cujo drama não é digno de ocupar as seletivas páginas dos grandes jornais brasileiros.

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

A ameaça economista

Teste nuclear (1953) - Operação Upshot-Knothole,
na Área de Testes de Nevada, Estados Unidos
"A economia é extremamente útil como forma de emprego para os economistas." (John Kenneth Galbraith)

Ao longo da história, de tempos em tempos, as sociedades, de um modo geral, conferem poder excessivo para algum tipo de autoridade, até finalmente constatar, tardiamente, os estragos cometidos pelos "poderosos da vez". Estragos que ora são graves, ora leves, ora são duradouros, ora passageiros. Dentre as autoridades empoderadas, os exemplos são variados: sacerdotes, nobres, generais, curandeiros, literatos, inquisidores, ditadores, cientistas. Agora o momento é das celebridades. E dos economistas. A diferença é que enquanto as primeiras são quase sempre inofensivas, os últimos podem ser socialmente letais, principalmente quando representam unicamente os interesses do capital financeiro especulativo. O poder é duplo quando esses economistas são célebres. E quando tais economistas estão incrustados em governos, imprensa e universidades, a ameaça então é tripla. Os efeitos explosivos. Intensos. Extensos. Incomensuráveis.

terça-feira, 10 de novembro de 2015

Ciência sem paciência

Pedrô sur une palissade, boulevard Raspail, 2009
"Lá não há esperança
E não há futuro.
Ciência e paciência,
Suplício seguro."
(Arthur Rimbaud)


Em teoria, os céticos dos clima perderam: 99% dos cientistas são unânimes em afirmar que o aquecimento global é causado pela ação humana. Mas na prática, venceram: pouco ou quase nada se faz para reverter a situação climática emergencial em que vivemos. Por sua vez, na teoria, os neoliberais também perderam: economistas vencedores do Prêmio Nobel, acadêmicos conservadores e até diretores do FMI e do Banco Mundial já condenaram as práticas do Consenso de Washington. Nenhum economista sério acredita mais no fundamentalismo de mercado. E os resultados econômicos dos últimos 30 anos no mundo falam por si. No entanto, o que vemos na prática? Governos, imprensa e uma parte da academia, em especial no Brasil, defendendo práticas ortodoxas que deixariam constrangidos até os editorialistas do The Wall Street Journal. E no campo da criminologia, enquanto a maioria dos estudos sociológicos e antropológicos apontam para a ineficácia do endurecimento das penas privativas de liberdade, políticos e cidadãos clamam pela pena de morte e pela redução da maioridade penal, principalmente aqui nos tristes trópicos. Os exemplos são intermináveis. Para que servem então as ciências da natureza e as ciências sociais se, a despeito de tantas pesquisas científicas, a sociedade parece agir em sentido contrário às respostas que elas oferecem? Parece que perdemos a paciência com a ciência. Só nos interessamos por ciência quando ela se presta ao desenvolvimento de novas tecnologias para fins de consumo. O que não for aplicável imediatamente a um produto ou serviço já não nos interessa mais.

sábado, 7 de novembro de 2015

A catástrofe da eficiência

Foto: Felipe Dana/AP
O setor de mineração, ao ser privatizado, tornou-se uma atividade econômica como outra qualquer, voltada exclusivamente para lucros de curto prazo, redução de custos operacionais e aumento dos fluxos de caixa, de modo a maximizar o valor das ações e, portanto, o retorno do acionista. Todo o resto fica em segundo plano: geração de emprego, preservação do meio ambiente, compromisso com a comunidade local, responsabilidade social, gestão de riscos, investimentos em segurança e prevenção de acidentes. Faz-se apenas o mínimo legal. Os ganhos são privatizados e os custos socializados. A natureza é desertificada. Rios morrem. O solo torna-se infértil. Animais, casas e pessoas desaparecem para sempre. No limite, os benefícios corporativos são pagos com a vida de seres humanos. Comoção mitigada pela irrelevância econômica das vítimas. A corda sempre arrebenta no lado mais fraco. Em breve, o esquecimento. Até a próxima tragédia. 

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Uma ponte para perdição

O Grito, Edvard Munch
'Uma ponte para o futuro', documento elaborado pela fundação Ulysses Guimarães, think tank associado ao PMDB, é uma peça ideológica de cunho liberal conservador, com propostas econômicas ultraortodoxas, que aprofundariam as reformas neoliberais dos anos FHC. O texto, que mais parece uma encomenda dos tucanos empoleirados mais à direita, propõe o fim das vinculações constitucionais relativas aos gastos com saúde e educação e a desindexação de salários e benefícios previdenciários. Focado na política fiscal e, consequentemente, no corte dos gastos públicos aplicados a programas sociais, o documento endossa a elevada taxa de juros praticada no país, ao justificá-la, sem nenhum respaldo teórico aplicável à realidade brasileira atual, como um instrumento eficaz no combate à inflação. Claramente voltado para os interesses do setor financeiro da economia, o texto permite ao leitor enxergar qual seria o projeto para o país, caso o vice-presidente conspirador Michel Temer ou até mesmo o ex-candidato ressentido Aécio Neves assumissem a presidência da República, em um eventual impeachment. Via TCU na primeira hipótese. Via TSE na segunda. De acordo com Temer, o programa é "para já e para o futuro". Um programa tecnocrático. Perverso. Documento sombrio. Frio. Assustador. Uma ode às agências de risco, aos bancos de investimentos, aos jornalistas da chamada grande imprensa e aos representantes do capital financeiro incrustados nos meios acadêmicos. Mais que um retrocesso, um abismo sem volta. Resta torcer para que tais propostas jamais saiam do papel. Resta aguardar. Ou em último caso, se for preciso, gritar.

terça-feira, 3 de novembro de 2015

Muito barulho por nada

Por que tantas luzes acessas
se já apagamos todas as revoluções?

Por que tanta busca de acumulação
se tudo se concentra em tão pouca mão?

Por que toda essa informação
se só nos concentramos por uns poucos segundos?

Por que tantos estímulos
se já estamos todos anestesiados?

Por que a busca pela beleza
se no entorno só há horror?

Por que tanta reivindicação por educação
se o que nos tira o sono é a prestação do carro?

Por que aspirar saúde
se já nos habituamos à doença?

Por que queremos rostos simétricos
se nossos espelhos são assimétricos?

Por que tantas métricas
se nada é mensurável?

Por que o desejo de juventude
se já estamos envelhecidos pelas convicções?

Por que tanta vaidade
se já ninguém enxerga mais ninguém?

Por que trilhar a perfeição
a não ser pela possibilidade de protelação?

Por que queremos tanta longevidade
se o tempo nos escapa?

Por que tanta solidariedade
se não nos choca a miséria?

Por que tanta compaixão
se já nos acostumamos aos genocídios?

Por que tanta moralidade
se o valor está num Porsche?

Por que tanta liberdade
sempre às custas de mais desigualdade?

Por que esquecemos da fraternidade?

Por que tanta construção
se tudo caminha para a especulação?

Por que tantos celulares
se nossas células estão desligadas?

Por que o Maracanã
se não existe mais a Geral?

Por que tanta literatura se os livros
são mais comprados e citados do que lidos?

Por que tanta arte
se já não nos encantamos mais?

Por que tanto ambientalismo
se nossa preocupação é o preço da gasolina?

Por que tanto ativismo se o que importa
é a cotação da moeda?

Por que tanto erotismo se já não sentimos
mais os nossos corpos?

Por que tanta ciência
se já não temos mais paciência?

Por que tanta indignação se somos
todos mais do mesmo?

Por que tantas perguntas
se já sabemos todas as respostas?

Por que tanto barulho
se já estamos tão próximos do nada?