domingo, 6 de dezembro de 2015

Quando a luta de classes se converte em golpe de Estado

Imagem: Jean Baptiste Debret
Em 2014, pelo quarto pleito consecutivo, o PSDB perdeu as eleições presidenciais. Resultado que reflete não o voto das esquerdas, cuja massa eleitoral é pouco representativa em termos quantitativos, e sim da parcela do eleitorado que definitivamente não vota por questões ideológicas mas por razões pragmáticas, fundamentadas na inteligência prática. Pessoas que simplesmente verificaram a melhoria de suas condições de vida e levaram este fato em consideração na hora de votar. Em regiões do país que transcendem os grandes centros urbanos da área geoeconômica denominada Centro-Sul. Mas para os derrotados, quatro mandatos seguidos é tempo demais para deixar o processo democrático seguir o seu curso natural. Assim, diante dos reveses sucessivos, a oposição, amparada pelos meios de comunicação de massa e por instituições acadêmicas, cujos interesses econômicos e políticos com ela se coadunam, logrou cooptar as camadas médias da população, facilmente manipuláveis pelo discurso da moralidade administrativa, com o intuito de aplicar um ardiloso golpe de Estado. Golpe sem quartelada, arquitetado por comerciantes de pareceres jurídicos, sofisticados sofistas, pomposamente chamados de juristas. Golpe com marmelada, que anula os votos vencedores de uma camada da população que historicamente sempre foi alijada dos processos decisórios do país. O que está na raiz do processo de impeachment não são pedaladas fiscais ou irregularidades no âmbito do TSE, mas a ascensão social de uma classe que sempre foi alvo da mais profunda indiferença por parte de nossos dirigentes políticos. Algo que para as elites é inadmissível. Diante de tanto inconformismo, vale tudo para interromper esse curso indesejado. Até paralisar o país. Desde que tudo mude, e volte a ser como sempre foi.