sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

O crime desorganizado nos tempos de FHC

"Se houve, não foi organizada como agora", declarou recentemente Fernando Henrique Cardoso sobre a corrupção em seu governo. Conclusão: crimes desorganizados não merecem punição. Só os organizados. Quem se importa com a corrupção desorganizada dos tempos de FHC? A bagunça da compra de votos para reeleição, o caos das propinas nas privatizações, o escândalo estapafúrdio do Sivam, a confusão do Proer, o caixa dois de campanha gerido pelo desordenado Sérgio Motta, a obscuridade do grampo no BNDES, a desordem na construção do TRT paulista, o labiríntico caso Marka/FonteCindam, a promiscuidade do caso da Base de Alcântara, as negociatas nas compras de computadores com os recursos do Fust, as travessuras de Eduardo Jorge, as peripécias do engavetador Geraldo Brindeiro, os rombos e desvios assimétricos na Sudam/Sudene, o quebra-cabeça do Fundef, o desmatamento descontrolado na Amazônia, os desvios mirabolantes do esquema no FAT, os acidentes desestruturados na Petrobras, intervenção improvisada na Previ, a surpresa do racionamento de energia... E tantas outras desorganizações que rapidamente caíram no esquecimento. Tudo sem nenhum planejamento. Nenhuma organização. Crimes desorganizados. Organizadamente blindados pelas instituições, públicas e privadas. Logo impunes. Portanto, inexistentes juridicamente. O príncipe dos sociólogos, tão erudito, deveria recapitular as lições de Platão, em Górgias: "O culpado e o injusto serão sempre infelizes, e mais infelizes serão se não prestarem contas à justiça". Mas a lógica e a ética de FHC parecem obedecer a critérios mais práticos e menos filosóficos.