quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Uma ponte para perdição

O Grito, Edvard Munch
'Uma ponte para o futuro', documento elaborado pela fundação Ulysses Guimarães, think tank associado ao PMDB, é uma peça ideológica de cunho liberal conservador, com propostas econômicas ultraortodoxas, que aprofundariam as reformas neoliberais dos anos FHC. O texto, que mais parece uma encomenda dos tucanos empoleirados mais à direita, propõe o fim das vinculações constitucionais relativas aos gastos com saúde e educação e a desindexação de salários e benefícios previdenciários. Focado na política fiscal e, consequentemente, no corte dos gastos públicos aplicados a programas sociais, o documento endossa a elevada taxa de juros praticada no país, ao justificá-la, sem nenhum respaldo teórico aplicável à realidade brasileira atual, como um instrumento eficaz no combate à inflação. Claramente voltado para os interesses do setor financeiro da economia, o texto permite ao leitor enxergar qual seria o projeto para o país, caso o vice-presidente conspirador Michel Temer ou até mesmo o ex-candidato ressentido Aécio Neves assumissem a presidência da República, em um eventual impeachment. Via TCU na primeira hipótese. Via TSE na segunda. De acordo com Temer, o programa é "para já e para o futuro". Um programa tecnocrático. Perverso. Documento sombrio. Frio. Assustador. Uma ode às agências de risco, aos bancos de investimentos, aos jornalistas da chamada grande imprensa e aos representantes do capital financeiro incrustados nos meios acadêmicos. Mais que um retrocesso, um abismo sem volta. Resta torcer para que tais propostas jamais saiam do papel. Resta aguardar. Ou em último caso, se for preciso, gritar.