domingo, 15 de novembro de 2015

Somos todos bárbaros

Ataque terrorista em Beirute, no Líbano (Reuters, 2015)
Lutos, pesares, lamentos. O mundo vive em estado de tragédia permanente. Hoje e sempre. Cotidiano intranquilo. Guerras, devastações, ganância, intolerância, brutalidade, terror. Sejamos solidários com as vítimas dos atentados na França. Mas sejamos também solidários com os libaneses, nigerianos, quenianos e tantas outras populações que têm sofrido ataques terroristas, sistematicamente, sob o silêncio quase absoluto do mundo "civilizado". A solidariedade e a empatia são sentimentos universais. No coração humano não existem fronteiras. Em tempos de individualismo extremo, nenhum sentimento de solidariedade precisa ser excludente. A hora não é de patrulhamento das comoções, próprias ou alheias. É natural nos comovermos com situações em que nos identificamos mais, em detrimento de outras que percebemos como mais distantes de nossas realidades. Ao fim e ao cabo, quase tudo acaba em esquecimento. Vivamos, portanto, cada um ao seu modo. Com suas dores. Seus prazeres. Seus amores. Interesses. Próximos ou distantes, sejamos o que somos: humanos, demasiadamente humanos. Seres imperfeitos, que no mais das vezes, em tempos de comunicação de massas, nos deixamos guiar pelas diretrizes de uma mídia hipócrita e cínica, que nos quer fazer crer existir uma luta entre civilização e barbárie, sendo ela mesma uma das mais bárbaras expressões do mundo atual. Enquanto isso, em terras brasileiras, nossas periferias explodem silenciosamente. Nossos doces rios morrem e levam consigo longínquas vidas humanas, de um mundo cada vez mais remoto e distante, enterrando sem nenhum funeral, toda a fauna e toda a flora do entorno, para sempre esquecidas.