segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Neoliberalismo: a pior versão do capitalismo

É impossível não concordar com a frase célebre de Milton Friedman, o sempre citado (nem sempre lido) guru neoliberal: "não existe almoço grátis". De fato, não existe almoço grátis. Nem jantar. Nem Veuve Clicquot. Para que sejam mantidos os intocáveis privilégios das elites financeiras, só mesmo cortando gastos sociais, isentando a distribuição de lucros, deixando de tributar as grandes fortunas e, consequentemente, estimulando a concentração de renda. O economista Joseph E. Stiglitz, vencedor do prêmio Nobel de Economia em 2001, e muitos outros teóricos importantes, como Paul Krugman (também vencedor do Nobel) e Ha-Joon Chang, demostraram, em farta literatura acadêmica, que mercados desregulamentados frequentemente não só conduzem à injustiça social, mas sequer produzem resultados eficientes. Até publicações conservadoras, como o periódico The Wall Street Journal e a revista The Economist, além de instituições nada revolucionárias como o Banco Mundial e o FMI, admitem publicamente que as soluções neoliberais não entregaram o prometido. Ao contrário, reduziram o crescimento mundial e aumentaram a concentração da renda e da riqueza. No Brasil, o ideário só se mantém hegemônico na imprensa e na academia por um simples motivo: seus resultados beneficiam as elites financeiras, que encomendam produções científicas para justificar, à luz de uma suposta ciência econômica, seus privilégios de classe. Neoliberalismo não é sinônimo de economia de mercado. É apenas a sua distorção mais perversa.