terça-feira, 24 de novembro de 2015

Narciso acha feio o que não é espelho

Carlos Alberto Torre erguendo a taça Jules Rimet em 1970
Por que falamos tão mal da Argentina e nos consideramos tão superiores? Até usamos o termo "argentinização" como algo pejorativo, uma condição negativa a ser evitada. No entanto, os gastos dos argentinos com educação, em relação ao PIB, são mais elevados que os nossos. O número de médicos por habitante é mais alto. O PIB per capta é maior. A expectativa de vida é mais longa. A desigualdade de gênero é inferior. O índice Gini, que mede a concentração de renda, é melhor na Argentina que no Brasil. O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) deles ocupa um lugar muito mais bem posicionado no ranking mundial em relação ao nosso. O cinema argentino produz uma quantidade filmes bem maior que o cinema brasileiro. E quase todos de ótima qualidade. Eles têm até um papa progressista! Então por que tanto complexo de superioridade de nossa parte? Será que é porque a frota de veículos de lá é mais velha? Ou porque vencemos mais Copas do mundo de futebol? Por que somos tão narcistas ao nos compararmos com nosso irmão do Sul, apesar de tanto "complexo de vira-lata" em relação ao outro irmão do Norte? Mistério. Essa temática valeria um estudo antropológico aprofundado. Talvez agora com esse novo presidente eleito - neoliberal, austero, empreendedor, elegante, eficiente, cosmopolita, modernizador e preparadíssimo - tenhamos alguma chance de superá-los. Provavelmente mediante um nivelamento por baixo. Infelizmente. É fato que na última década nossos indicadores melhoraram.Mas se copiarmos a onda neoliberal de nossos queridos vizinhos, certamente navegaremos no mesmo barco. E afundaremos juntos. Num melancólico abraço de afogados.