domingo, 22 de novembro de 2015

Não existe pecado ao Sul do Equador

FHC, Ruth Cardoso, Marco Maciel e Carlos Menem - Foto Arquivo AE
“Aqueles entre nós que viveram os anos da Grande Depressão ainda acham impossível compreender como as ortodoxias do puro mercado livre, na época tão completamente desacreditadas, mais uma vez vieram a presidir um período global de depressão em anos recentes." (Eric Hobsbawn)

Um fantasma ronda a América Latina: o fantasma do neoliberalismo. Munido de uma agenda que lembra bastante a cartilha do Consenso de Washington, celebrada e implantada fielmente na região do Mercosul, durante a década de 1990, nos tempos de Menem, FHC & Cia, o candidato da coalizão "Cambiemos", Maurício Macri, foi eleito o novo presidente da República na Argentina.

A julgar pelo recente documento elaborado pelo PMDB, "Uma ponte para o futuro" (que poderia ter sido produzido por praticamente qualquer partido de oposição), expressão programática aglutinadora da onda liberal conservadora instalada por aqui nos últimos tempos, o quase quadragenário neoliberalismo, mais uma vez repaginado, a despeito de todos os seus fracassos mundo afora, também está bem vivo no Brasil. Não só na academia e na imprensa, onde sempre foi hegemônico, mas como projeto político explícito. E agora com um novo aliado no âmbito do Mercosul, recém eleito nas urnas argentinas.

Aqui do lado de baixo do Equador, a direita voltou para ficar. Com a adesão incondicional dos setores médios da sociedade, manipulados pela eterna elite rentista, cuja maior habilidade tem sido vestir ideologias concentradoras de renda e riqueza com o manto sagrado da "eficiência modernizadora", os efeitos dessa nova onda neoliberal deverão ser duradouros. E como de costume, devastadores. Sobretudo para as camadas menos favorecidas da população. 

Camadas desfavorecidas, eternamente esquecidas pelos poderosos representantes do mercado financeiro, travestidos de políticos, amparados ideologicamente pelas imensas côrtes de economistas, intelectuais e jornalistas. Todos sempre encantados com suas próprias ideias. Sempre muito bem remunerados. Sempre muito bem favorecidos. Todos sempre muito sorridentes.