sábado, 7 de novembro de 2015

A catástrofe da eficiência

Foto: Felipe Dana/AP
O setor de mineração, ao ser privatizado, tornou-se uma atividade econômica como outra qualquer, voltada exclusivamente para lucros de curto prazo, redução de custos operacionais e aumento dos fluxos de caixa, de modo a maximizar o valor das ações e, portanto, o retorno do acionista. Todo o resto fica em segundo plano: geração de emprego, preservação do meio ambiente, compromisso com a comunidade local, responsabilidade social, gestão de riscos, investimentos em segurança e prevenção de acidentes. Faz-se apenas o mínimo legal. Os ganhos são privatizados e os custos socializados. A natureza é desertificada. Rios morrem. O solo torna-se infértil. Animais, casas e pessoas desaparecem para sempre. No limite, os benefícios corporativos são pagos com a vida de seres humanos. Comoção mitigada pela irrelevância econômica das vítimas. A corda sempre arrebenta no lado mais fraco. Em breve, o esquecimento. Até a próxima tragédia.