terça-feira, 18 de agosto de 2015

Fronteiras livres, exceto para trabalhadores imigrantes

Fronteira EUA/México
"Apesar da presença notável em nossa vida, o trabalho é um tema relativamente menor na economia." (Ha-Joon Chang)

De acordo com os economistas de livre mercado, toda restrição imposta à circulação entre fronteiras de quaisquer objetos de transações econômicas, sejam mercadorias ou bens de capital, seria prejudicial à economia dos países envolvidos.

Quando pregam o livre-comércio, sem nenhum tipo de barreira protecionista ou tarifária, os economistas neoliberais, adoradores do livre mercado, não mencionam o fato de que os mesmos países defensores das fronteiras abertas aos fluxos de mercadorias, coincidentemente as nações mais ricas e afluentes do mundo, negam o fluxo livre de trabalhadores, em especial quando se trata de suas fronteiras.

A contradição é evidente. Liberar mercadorias. Restringir pessoas. Assim, enquanto o trabalho contido nas mercadorias pode atravessar livremente as fronteiras, os trabalhadores, sobretudo os menos qualificados, devem ficar restritos aos seus países de origem. Em matéria de política econômica, economistas ortodoxos só se interessam pela liberdade das mercadorias. Seres humanos, mais especificamente trabalhadores, não têm sido objeto de preocupações por parte das ciências econômicas. Muito menos as barreiras impostas aos trabalhadores imigrantes. Eis uma interessante reflexão ética que os apologistas do livre mercado ainda não ousaram enfrentar. Um curioso paradoxo do liberalismo.