domingo, 9 de agosto de 2015

Delatores são apenas delatores

Cartão postal de uma pintura russa do século XIX
"A delação premiada acabou tornando delinquentes, criminosos confessos, em grandes personagens." (Dalmo de Abreu Dallari)

O delator não é herói, embora uma parte da imprensa o retrate como tal. O delator é apenas um criminoso, tão criminoso quanto o delatado, apenas com o acréscimo da delação. 

É alguém que, além do crime cometido, delata outros que cometeram crimes conexos aos seus, com o único objetivo de obter vantagens processuais. 

A delação premiada é uma afirmação, realizada em juízo, acerca de supostos delitos de terceiros, com intuito de reduzir a própria pena.

Um ato só possui legitimidade moral quando é desinteressado. A presença de um benefício ou a redução de um malefício, em favor do agente, anulam a moralidade do ato.

Se delatores ajudam a elucidar esquemas de corrupção, esse fato não os exime do crime que cometeram. Tampouco os tornam exemplos de civilidade.

Delatores, quando delatam, não o fazem por uma decisão altruísta, em nome do bem comum, mas apenas em próprio benefício. Delatores são apenas delatores.