domingo, 9 de agosto de 2015

Bala de festim ou festim diabólico?

Festim diabólico, um filme de Alfred Hitchcock
Para quem achou que o jornal O Globo fez algum tipo de mudança em sua linha editorial, depois da última sexta-feira, 07 de agosto, basta ler o jornal do dia seguinte para perceber que tudo continua, como dizem os americanos, business as usual. O título do editorial de sábado fala por si: "As agruras do PT ao som de panelaços"

Assim como no filme O Leopardo, de Visconti, às vezes há que se mudar alguma coisa para que tudo continue como sempre foi. Mas a suposta mudança do Globo não durou sequer 24 horas. Quase um relâmpago. Talvez tenha sido apenas uma jogada de marketing do jornal para chamar atenção e virar assunto nas redes sociais. 

Ao clamar por governabilidade, o editorial de sexta-feira passada, que levantou tantas dúvidas quanto ao posicionamento do jornal em face do governo federal, omite o fato de que as organizações Globo têm sido o grande maestro da ingovernabilidade, conduzindo diariamente uma grande parte da opinião pública à crença de que o país vive em meio ao mais profundo caos político e econômico.

Escrito com uma certa habilidade, ao direcionar suas críticas ao presidente da Câmara, Eduardo Cunha, cuja rejeição é quase uma unanimidade nacional, o editorial buscou agradar a gregos e troianos. Funcionou. Mas no fim, só muito barulho por nada. Resta a dúvida: bala de festim ou festim diabólico?