sábado, 4 de julho de 2015

O fascista mora ao lado

Guernica, 1937 por Pablo Picasso
"Entre erros e acertos do governo e da oposição, há um erro que ambos devem evitar a todo custo: ignorar o perigo do crescimento desse tipo de ideologia violenta e fascista, normalmente acompanhada de homofobia e racismo." (Paulo Blikstein, professor de Stanford)

A redução em 0,2% do PIB, no primeiro trimestre de 2015, após mais de uma década de bons resultados econômicos com inclusão social, vem sendo tratada com notável oportunismo por alguns segmentos de nossa mídia, sempre sedenta por mais lucro e poder, e por uma parte da oposição, ressentida e golpista, como se a economia brasileira estivesse em uma situação de colapso. A pretexto disso, estamos testemunhando uma onda de extremismo, ódio e intolerância sem precedentes na história recente do Brasil, desde a redemocratização na década de 1980. Não que estivéssemos vivendo em um país paradisíaco. Havia, e ainda há, muitos e graves problemas. Mas a desproporção entre a realidade dos fatos e a reação irracional de grande parte da sociedade civil "escolarizada" é gritante.

Imaginem se estivéssemos enfrentando uma grande depressão, nos moldes da crise de 1929 ou, como mais recentemente, a crise em 2008, quando alguns países tiveram quedas no PIB superiores a 30% e taxas de desemprego que ultrapassaram 25%, chegando a mais de 50% entre jovens de 18 a 30 anos? Imaginem se estivéssemos na situação da Grécia ou da Africa do Sul? Alguém poderia imaginar? No Brasil, a taxa de desemprego foi de 7,9% no primeiro trimestre. Na França a taxa de desemprego atual está 10,5%. Na Grécia 25,6%. Espanha 23,2%. Itália 12,7%. A média da taxa de desemprego na Europa está em 11,3%. Nos EUA, a taxa é de 5,5%. Em 2009, em razão da crise mundial, o desemprego nos EUA havia atingido 10,2%. Entre os países dos chamados Brics, na China o índice de desemprego é de 4,1% e na Rússia é de 5,9%. Esse índice é de 8,6% na Índia. E na África do Sul a taxa de desocupação está em 24,3%.

Nossos indicadores já estiveram melhores. Mas é preciso reconhecer que estão longe de representar um colapso econômico. Houve momentos em nossa história muito mais graves, em que convivíamos com estagnação da atividade econômica e uma inflação de 499% ao ano. Mas ao que parece, as percepções estão distorcidas. Nossa população não está preparada para enfrentar nenhum tipo de adversidade real ou uma crise verdadeiramente profunda. Nosso tecido social está fragilizado. Fraturado. Fragmentado. Em vez de união, força e trabalho, uma grande parte da sociedade civil está reagindo com segregação, medo e violência. Ignorado pelos principais meios de comunicação, relevado por uma grade parte de nossos formadores de opinião e aplaudido por alguns segmentos de nossa sociedade, o fascismo está definitivamente entre nós.