terça-feira, 28 de julho de 2015

É hora de riscar as agências de risco do mapa do Brasil

"Em sua brutalidade anônima, os mercados da riqueza escoltados pelos estelionatários das agências de risco impõem aos países e a seus cidadãos a tirania da ignorância soberana." (Luiz Gonzaga Belluzzo)

Miriam "Grau de Investimento" Leitão continua na torcida para que as agências de risco rebaixem a nota do Brasil. Mas a despeito do que virá em termos de notas para o país nos próximos dias, não podemos nos esquecer de que essas mesmas agências de risco erraram grosseiramente nas avaliações realizadas antes da crise de 2008.

O Lehman Brothers, por exemplo, tinha nota 'A' no dia em que quebrou. No caso do escândalo financeiro da Enron, em 2001, todas as agências mantiveram o grau de investimento até cinco dias da decretação da falência da empresa. Durante a crise de 2008, essas agências foram acusadas de inflar as "notas" de diversas empresas e seus principais executivos acabaram presos por fraude a investidores. Crimes que os jornalistas/moralistas da grande imprensa brasileira sequer noticiaram.

Nas palavras de Luiz Gonzaga Belluzzo, "a esfera pública está acuada nos gigantescos monopólios de comunicação, submissos aos poderes da mão invisível da finança e incumbidos de manter sob estrita vigilância os governantes que, porventura, ousem desafiar os ditames facinorosos das agências de risco". Um país não pode conduzir suas políticas econômicas somente para satisfazer um grupo de chantagistas profissionais que não possui legitimidade técnica nem moral para impor regras a países soberanos. A julgar pela qualidade de suas avaliações, quem deveria ser rebaixado não são países nem empresas, mas as próprias agências.

A questão é: quem julgará os "juízes"? Por enquanto, eles são os donos da bola. Esses "julgadores" de risco são os queridinhos da mídia. Mandam e desmandam. Possuem mais poder do que o FMI e o Banco Mundial juntos. É hora de jogar duro com essa gente. Hora de dar menos confiança aos mercados financeiros, aos especuladores de plantão e confiar mais no país. Em nossas instituições. Na força da nossa geografia. Hora de apostar em nossas empresas e em nossa capacidade de trabalho. Hora de criar, inventar, trabalhar e prosperar.