terça-feira, 30 de junho de 2015

A Grécia e os mercadores da dívida

Foto: Aris Messinis/Agence France-Presse
"Economistas em todo o mundo já condenaram essa meta da troika como punitiva, porque tentar atingi-la levará inevitavelmente a uma recessão ainda maior." (Joseph Stiglitz)

As análises dos principais jornais brasileiros sobre a crise na Grécia alegam preocupação com o povo grego. Mas a única, e real, preocupação desses jornalistas é com aqueles a quem chamam, eufemisticamente, de investidores. Em outras palavras, eles temem pelas possíveis perdas dos mercadores da dívida grega.

Preocupam-se, de fato, apenas com um possível colapso da ciranda financeira que sustenta o capital especulativo pelo mundo. Quanto os megainvestidores perderão com a crise? Como será a "reação" do mercado? Haverá "contágio" em outros mercados? Essas são as verdadeiras preocupações. Nem é preciso ler nas entrelinhas. Está tudo ali. É só nisso que pensam.

E quando agem assim, esses jornalistas econômicos apenas engrossam o coro de chantagistas e agiotas legalizados a serviço do capital financeiro. Gente que vive de sugar todo o sangue de economias que poderiam ser produtivas e prósperas. Gente que que vive de sugar recursos de países menos favorecidos, até torná-los anêmicos e exauridos. Para depois abandoná-los à própria sorte. Zumbis econômicos. Vampiros financeiros. Parasitas especulativos. E nossos jornalistas econômicos, em sua grande maioria, funcionam como seus porta-vozes. Escudeiros fieis. Devotos profissionais. Soldados do infortúnio. Adoradores de um deus chamado mercado. Financeiro.